Governo segura ligações na Transtejo e só seis carreiras da Carris serão abolidas

20.01.2012 - 07:11 Por Inês Boaventura
O secretário de Estado dos Transportes deixou cair, após negociações com a Junta Metropolitana de Lisboa, alguns dos cortes mais drásticos que estavam a ser equacionados para os transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa (AML). Na Transtejo já não será suprimida qualquer ligação fluvial e na Carris são seis as carreiras com os dias contados, em vez das 23 que o grupo de trabalho nomeado pelo Governo chegou a propor.
A proposta final a que o PÚBLICO teve acesso e que ontem foi transmitida pelo secretário de Estado Sérgio Monteiro às 18 câmaras municipais da AML, é significativamente menos gravosa para os utilizadores dos transportes públicos do que aquela com que a Junta Metropolitana de Lisboa foi confrontada no início de Novembro de 2011.
Nessa altura, o grupo encarregado de estudar a reformulação da rede de transportes sugeria a antecipação da hora de fecho do Metropolitano de Lisboa, o fim de uma ou de duas ligações da Transtejo (entre Belém e a Trafaria e entre o Cais do Sodré e o Seixal) e de 23 carreiras da Carris. Dada a contestação das autarquias, Sérgio Monteiro decidiu que continuarão em funcionamento os barcos que ligam Belém à Trafaria. Isto apesar de este serviço representar um custo de 3,2 milhões de euros por ano, que garante proveitos de apenas 400 mil euros anuais.
Já as ligações do Cais do Sodré ao Seixal e ao Montijo terão as frequências de serviço "ajustadas", ficando assim pelo caminho a ideia de estas duas carreiras passarem a fazer-se apenas aos dias úteis, em horas de ponta.
Quanto à Carris, não será afinal suprimida qualquer das seis carreiras suburbanas (21, 25, 76, 745, 764 e 799) cuja extinção estava em cima da mesa na segunda versão proposta pelo grupo de trabalho. Em relação aos autocarros que servem apenas o concelho de Lisboa, serão seis (10, 777, 790, 797, 203 e 205) e não nove os que vão deixar de circular.
Eléctrico 18 continua
Também o eléctrico 18 vai manter-se em funcionamento, mas o seu percurso será encurtado ao Largo do Calvário. Para além disso, Sérgio Monteiro adianta que "a Câmara Municipal de Lisboa aceitou a criação de um conjunto de novos corredores de faixas bus", medida que em seu entender irá permitir "aumentar o nível do serviço e contribuir para a redução de custos da Carris".
Ao todo serão 22 as novas faixas reservadas a transportes públicos na capital. Quanto ao Metropolitano de Lisboa, e afastada que foi em Dezembro a possibilidade de o horário de fecho ser antecipado, vão avançar as alterações apontadas na segunda proposta do grupo de trabalho que estudou a reformulação da rede de transportes: aumento do intervalo entre comboios à noite, redução do número de carruagens para três, à noite e aos fins-de-semana e feriados (e em permanência na Linha Verde), o fecho de átrios secundários das estações à noite e aos fins-de-semana e a circulação a uma velocidade máxima de 45 quilómetros/hora (em vez dos actuais 60) fora dos períodos de ponta.
O secretário de Estado dos Transportes considera que, no caso do metro, essas são "medidas racionais e equilibradas de ajustamento da oferta ao nível de procura". Sérgio Monteiro sustenta que "o impacte para os passageiros será, na maioria das situações, pouco perceptível".
Na CP o governante mostra-se favorável à reformulação dos horários e da oferta das linhas de Sintra e Azambuja, afirmando que "um conjunto significativo de passageiros será beneficiado com esta reorganização da oferta, uma vez que são aumentadas as frequências nas ligações com maior procura". Nas horas de menor procura circularão comboios só com uma composição (três carruagens), o que, segundo o grupo de trabalho, proporcionará um "reforço do sentimento se segurança" devido à "menor dispersão de passageiros pelos comboios".
Junta Metropolitana dá parecer positivo
O presidente da Junta Metropolitana de Lisboa afirma que a solução do secretário de Estado dos Transportes para a reestruturação da oferta dos operadores públicos "não é boa mas é aceitável". Isto, sublinha Carlos Humberto Carvalho, que é também presidente da Câmara Municipal do Barreiro (PCP), por oposição à primeira proposta do grupo de trabalho nomeado pelo Governo, que "era inaceitável".

