Governo Regional dos Açores recusa-se a aplicar taxas de internamento

17.10.2006 - 08:57 Por Lusa, PUBLICO.PT
O presidente do Governo Regional dos Açores, o socialista Carlos César, recusa-se a aplicar as taxas de internamento hospitalar propostas pelo ministro da Saúde por "não terem qualquer critério de justiça social".
O ministro da Saúde assumiu no início do mês que as taxas de internamento poderão ser aplicadas até 14 dias, a um custo máximo de cinco euros por dia, a partir do próximo ano, intenção concretizada na proposta de Orçamento do Estado para 2007.
Numa entrevista à rádio RDP Açores, citada hoje pelo "Diário de Notícias", Carlos César referiu que as taxas "não têm qualquer critério de justiça social", por serem iguais para todos, independentemente dos rendimentos.
"Eu não posso dizer a um utente pobre que necessite de internamento: o senhor não tem dinheiro e ficará em sua casa e morrerá", afirmou o presidente do governo regional, acrescentando: "Sou socialista, tenho de ter essa sensibilidade".
Para Carlos César, a aplicação da taxa de internamento "não representaria nada de significativo no financiamento do sistema regional de saúde".
A taxa de internamento que o ministro da Saúde pretende criar já mereceu a oposição dos socialistas Jorge Coelho e Manuel Alegre.
No sábado passado, o Bloco de Esquerda desafiou os deputados socialistas descontentes com a introdução de taxas moderadoras nos internamentos a juntarem as suas assinaturas às do BE para pedir a fiscalização da constitucionalidade da medida.

