O governo regional da Madeira confirmou hoje a existência de 39 mortos na sequência da tragédia que assolou a região no fim-de-semana, deixando de fazer referência aos 42 reportados logo no primeiro dia.
Segundo informação avançada pelo Ministério Público e citada pela porta-voz do governo regional, estão ainda registados mais 29 desaparecidos, além das vítimas mortais. Atendendo ao facto de as telecomunicações já estarem operacionais e de as famílias puderem contactar os elementos do seu agregado, tudo leva a crer que o número de desaparecidos possa elevar as vítimas mortais para perto das sete dezenas.
Na conferência onde é feito o balanço diário da situação na região na sequência do mau tempo que afectou o arquipélago, foi também adiantado que no Hospital do Funchal continuam internados 18 feridos de um total inicial de 70. Neste momento estão a ser apoiadas cerca de 600 pessoas que estão deslocadas das suas casas, o que corresponde a um total de 193 famílias. O governo regional informou, ainda, que continuam a subsistir problemas no abastecimento de água potável e de energia eléctrica, sobretudo nas zonas mais altas do Funchal, Ribeira Brava e Ponta do Sol.
Num comunicado difundido, o governo regional desmente, contudo, que os preços dos bens alimentares na Madeira tenham subido 100 por cento após a tragédia – uma notícia que foi publicada hoje pelo “Diário Económico”. Sobre o jornal, o governo afirmou que é “um diário com conotações políticas bem conhecidas” e que “é completa e absolutamente falsa” a informação veiculada.
No que diz respeito a perdas financeiras, só no concelho do Funchal, a câmara municipal estimou ontem que atinjam 76 milhões de euros os prejuízos causados pelo temporal em infra-estruturas, edifícios e equipamentos do município. Mas admite que este montante venha a ser superior. Por outro lado, a Câmara de Comércio e Indústria do Funchal (ACIF), no balanço preliminar feito pelo respectivo presidente Duarte Rodrigues, prevê que os danos, em estabelecimentos comerciais e empresas destes sectores e serviços, ultrapassem os 140 milhões.
O montante de 220 milhões dos prejuízos no Funchal não inclui qualquer avaliação relativa à destruição de bens e habitações particulares, nem em equipamentos e edifícios públicos. Relativamente aos prejuízos globais de toda a ilha, os diversos departamentos governamentais estão a proceder à sua avaliação que deverá ser entregue à presidência do Governo Regional até amanhã, sendo expectável que o montante global de prejuízos atinja os mil milhões de euros.


