O secretário de Estados dos Transportes comunicou, ontem, aos representantes da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral, CIMAL, a decisão de anular o traçado previsto para o troço entre Sines e Grândola da linha ferroviária de mercadorias projectada pela Rede Ferroviária Nacional (Refer), e que ligará aquele porto atlântico até à fronteira com Espanha, em Elvas.
A decisão foi transmitida numa reunião de Carlos Correia da Fonseca com os representantes do conselho executivo daquela comunidade de municípios, Carlos Beato e Alexandre Rosa, segundo os quais ficou assumido o compromisso de se estudar alternativas ao traçado agora chumbado.
Segundo um comunicado da CIMAL, durante a audiência "foi visível a convergência entre as posições do Governo e as preocupações expressas pela CIMAL e que correspondem ao sentir das autarquias da região e dos agentes económicos e sociais que se têm pronunciado sobre o assunto".
O conjunto de municípios que integram a CIMAL (Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines) aprovou uma moção, no passado dia 12, na qual é defendida a necessidade de encontrar alternativas ao traçado proposto pela Refer "tendo em conta os impactes ambientais, económicos e sociais" que tal opção comportaria.
Na audiência com o secretário de Estado, dizem os autarcas que foi ainda garantido que a construção daquela ligação ferroviária continua a ter um lugar estratégico e prioritário na acção do Governo para o sector, estando a ser estudadas alternativas que permitam encontrar as melhores soluções para a ligação Sines-Elvas e que garantam, simultaneamente, a racionalidade e sustentabilidade do investimento, considerado fundamental para o reforço da competitividade do Porto de Sines e para o desenvolvimento do Alentejo Litoral.
Os autarcas da CIMAL salientam ainda que obtiveram do governante a garantia de que será assegurada a sua participação na análise das novas alternativas que vierem a ser consideradas.
Sete mil sobreiros em causa
A construção da nova ferrovia segundo aquele traçado da Refer implicaria o derrube de cerca de sete mil sobreiros ao longo de uma linha com cerca de 40 km de comprimento por 400m de largura, o que deixou muita gente inconformada e deu origem a um movimento de contestação.
O traçado proposto afectaria não só o montado, como também retalharia aldeias, contaminaria lençóis freáticos e zonas de abastecimento de água, quintas históricas e o turismo rural já existente na região, sustentou então a Associação Protectora do Montado, lembrando ainda que os impactes daquele projecto teriam consequências nas árvores e na cortiça e "no habitat que sustenta". Carlos Dias


