GNR e a Câmara de Barrancos dizem desconhecer foco de língua azul no concelho 
24.09.2007 - 20:36 Por Lusa
A GNR e a Câmara de Barrancos dizem desconhecer a existência de um foco de língua azul numa exploração de ovinos daquele concelho, apesar de o Ministério da Agricultura afirmar que "todas as autoridades foram devidamente informadas".
Em comunicado divulgado hoje, o Ministério da Agricultura anunciou o sequestro de uma exploração de ovinos em Barrancos, no distrito de Beja, onde foi detectado um foco de língua azul do serotipo 1, para o qual não existe vacinação disponível.
A doença é transmissível entre ovinos mas não afecta o homem.
Segundo o Ministério, a exploração na qual se detectou o foco encontra-se sob sequestro (isolada), estando a ser aplicadas medidas especiais de vigilância e restrições à circulação de ruminantes nas regiões do Alentejo e Algarve, para evitar a disseminação da doença, que não tem impacto na saúde humana, mas afecta os ruminantes, do ponto de vista económico e sanitário.
"A GNR não recebeu qualquer informação, mas está a tentar contactar os serviços de veterinária para esclarecer a situação", afirmou o capitão Manuel Jorge, das relações públicas da Brigada Territorial nº 3, cuja área de jurisdição abrange as regiões do Alentejo e Algarve.
Várias fontes da GNR contactadas no Alentejo garantiram desconhecer a situação, tal como o presidente do município de Barrancos, António Tereno.
As mesmas fontes garantiram que, em termos normais, a Direcção-Geral de Veterinária informa a GNR para colaborar nas acções que forem necessárias, incluindo a vigilância na zona abrangida.
Fonte do Ministério da Agricultura assegurou que "todas as autoridades estão devidamente informadas desde sexta-feira", incluindo a GNR.
Segundo o ministério, a doença da língua azul tem sido detectada em Portugal desde os finais de 2004, mas sempre devido a vírus do serotipo 4, contra o qual os animais susceptíveis à doença (ruminantes) estão vacinados.
A sintomatologia desta doença evidencia-se ao nível das vias respiratórias superiores, com corrimento nasal, febre elevada, congestão das gengivas e da língua que fica com uma cor arroxeada (daí o nome da doença).
A língua azul é uma doença transmitida por mosquitos e causada por um orbivirus, existindo 24 serotipos (estirpes dos agentes patogénicos) que não desenvolvem imunidade cruzada entre si.
Na Europa, existem até ao momento os serotipos 1, 2, 4, 8, 9 e 16.

