O homem que, a 12 de Março do ano passado, esfaqueou os dois irmãos até à morte, na Foz do Porto, foi hoje condenado a uma pena de prisão efectiva de 14 anos. A juíz responsável pelo processo explicou, durante a leitura da sentença no Tribunal de S. João Novo, que apesar do estado de perturbação do antigo professor de Matemática, à altura dos factos, as provas não apontam no sentido da sua inimputabilidade ou de uma imputabilidade diminuída. O advogado do arguido anunciou que vai recorrer da sentença.
Arnaldo Ferreira, de 54 anos, foi condenado a 11 anos de cadeia por cada um dos homicídios praticados. Contudo, o cúmulo jurídico resultou em em apenas 14 anos de cadeia pela morte dos seus irmãos, Jorge e Manuel Ferreira, de 63 e 57 anos. O antigo professor foi ainda condenado a pagar 25 mil euros à esposa de Manuel (Jorge não era casado nem tinha filhos), por danos morais, e 20 mil euros a cada uma das duas filhas do irmão. Os danos patrimoniais sofridos pela esposa da vítima foram avaliados pelo tribunal em mais de 99 mil euros, valor que Arnaldo foi também condenado a pagar. A advogada da família, Sónia Carneiro, considerou "equilibrada" a pena atribuída a cada um dos crimes, mas o cúmulo jurídico já lhe pareceu "pequeno". A advogada disse, à saída do tribunal, estar ainda a avaliar se iria ou não recorrer do montante atribuído por danos morais, sendo que os danos patrimoniais das filhas só serão avaliados em sede de execução de sentença.
Amílcar Fernandes, que representou o arguido, explicou que irá recorrer da sentença. "A grande questão que se suscitou ao longo de todo o julgamento, e que irá continuar em sede de recurso, tem a ver com a imputabilidade", disse. Arnaldo Ferreira, que ao longo de todo o julgamento sempre afirmou não se recordar dos crimes, irá, por isso, continuar a insistir na tese, não provada em julgamento, que se encontrava em "delírio de ruína", pelo que deverá ser considerado inimputável ou de imputabilidade diminuída.
A 12 de Março de 2008, Arnaldo deslocou-se à padaria Formosa, que herdara dos pais com os irmãos. No andar onde residia Jorge, por cima da padaria, os três ter-se-ão envolvido numa discussão e Arnaldo esfaqueou os irmãos, abandonando, em seguida, o local, como se nada tivesse acontecido. Mais tarde, após um acidente no carro que conduzia, tentou o suicídio ferindo-se com uma faca, mas foi interrompido pela polícia e internado no Hospital de Santo António.


