Autarca está a ser julgado por crime de incitação à violência

Fernando Ruas diz que hoje não usaria a expressão “corram-nos à pedrada”

14.05.2009 - 14:36

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Fernando Ruas reafirmou ter usado a expressão em sentido figurado Fernando Ruas reafirmou ter usado a expressão em sentido figurado (PÚBLICO (arquivo))
Fernando Ruas disse esta manhã no tribunal de Viseu que se fosse hoje não teria usado a expressão “corram-nos à pedrada”, a frase que o obriga pela primeira vez a sentar –se no banco dos réus, acusado de um crime de incitação pública à violência. A polémica frase foi proferida pelo autarca no decorrer da assembleia municipal, a 26 de Junho de 2006, referindo-se aos vigilantes da natureza do ministério do Ambiente, depois de saber que tinham movido um processo judicial ao presidente da junta de Silgueiros que, por iniciativa própria, tinha colocado manilhas numa linha de água.

Esta manhã durante a primeira audiência do julgamento, o também presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses reafirmou ter usado a expressão em sentido figurado e que se fosse hoje trocaria por “Dêem-lhes uma malha”, numa alusão às recentes palavras de Artur Santos Silva. O autarca defendeu-se ainda com a expressão de Jorge Coelho que já afirmou “Quem se mete com o partido socialista, leva”.

Ruas quis assim demonstrar que todos perceberam que são expressões usadas no âmbito do combate político e que são sempre desvalorizadas, acrescentando que ele próprio já foi chamado de Saddam Hussein das Beiras, sem que tivesse dado grande importância ao caso, argumentou.

O Ministério Público (MP) considerou que as palavras dos socialistas citados tinham um destinatário “abstracto”, ao contrário do autarca, que se referia, especificamente, aos funcionários do Ministério do Ambiente. O MP arrolou o presidente da junta de Silgueiros, António Coelho, e Ribeiro de Carvalho, deputado do PS na Assembleia municipal de Viseu que, na altura considerou “excessivas” as palavras de Fernando Ruas. A defesa do autarca convocou 15 testemunhas.

Os presidentes das câmaras de Rio Maior e Faro, ambos do PS foram ouvidos através do sistema de vídeo conferência, tendo ambos desvalorizado a expressão do autarca a quem teceram largos elogios. O presidente do município de Faro, José Apolinário, chegou mesmo a afirmar que no Algarve se usa uma expressão equivalente: “Atirem-nos ao mar”. Já o secretário da Associação Nacional de Municípios, Artur Caiado, referiu-se ao arguido como um homem “com a arte de fazer acalmar os ânimos”, e assumiu que não leva a mal quando Ruas o manda ir “pentear macacos”, ou “plantar batatas” afirmou.

A audiência vai prosseguir durante a tarde.

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Mafioso

Pois não! Hoje dizia: corram-nos ao tiro como se faz aos coelhos.

costa do castelo

15.05.2009 11:03

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