As famílias ciganas continuam a não querer ficar no bairro da Quinta da Fonte, depois de hoje terem sido forçadas a sair do jardim em frente à Câmara de Loures pela PSP. Um dos moradores do bairro acusou a PSP de “apontar armas às crianças”, durante a operação desta madrugada. A força de segurança já negou.
Depois de terem abandonado o jardim, as famílias foram escoltados pela polícia até à Apelação, onde fica a Quinta da Fonte, mas recusaram permanecer no bairro, contou Sérgio Fernandes, um elemento da comunidade cigana.
A Lusa constatou no local que as famílias começaram a dirigir-se para um parque de estacionamento junto à ponte de Frielas.
"Recusamos ficar no bairro" disse Sérgio Fernandes, um dos moradores da Quinta da Fonte, que já se encontra junto à ponte de Frielas.
"A comunidade cigana está a ser impedida de se movimentar dentro do concelho de Loures", acusou ainda.
Este morador da Quinta da Fonte acusou também a polícia de "apontar armas às crianças" e de os ter encaminhado "contra vontade para o Bairro Quinta da Fonte".
"Eram seis e tal da manhã, uma escolta de alta segurança policial começou a apontar armas. Apontaram às crianças e estas entraram em pânico", contou Sérgio Fernandes.
PSP de Loures nega que tenha apontado armas a crianças
O comissário da PSP de Loures Resende da Silva já negou que tenham sido apontadas armas a crianças durante a operação de retirada de famílias da comunidade cigana que estavam concentradas em frente à câmara de Loures.
"A polícia não apontou armas", frisou o oficial, responsável pelas operações, salientando ainda que as famílias saíram "sem resistência e ordeiramente".
A operação foi iniciada às 06h15 com três equipas de intervenção num total de 35 homens e visou a retirada das famílias acampadas no jardim em frente ao edifício da câmara por estarem aí "ilegalmente", explicou a fonte policial.
O responsável pelas operações negou ainda acusações da comunidade cigana de que a polícia estará a impedir a circulação das famílias na cidade de Loures. "Não estamos a proibir a livre circulação destas famílias tanto que neste momento se encontram na ponte de Frielas".
O comissário revelou à Lusa que a operação de retirada das famílias ciganas foi decidida pela própria PSP de Loures, recusando que a ordem tenha vindo do presidente da Câmara de Loures ou da governadora civil de Lisboa, como afirmam alguns membros da comunidade cigana.
Resende da Silva disse que o efectivo policial irá manter-se no local.
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