Faculdade de Economia da Nova quer sair de Campolide e instalar-se à beira-mar

12.02.2012 - 15:19 Por Carlos Filipe
A necessidade de expansão e o desejo de captar um maior número de estudantes estrangeiros, oferecendo as melhores condições de conforto e competitividade a nivel europeu, poderá levar a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa a deixar as actuais instalações na capital, em Campolide, e transferir-se para o concelho de Cascais.
Um protocolo entre a academia e o autarquia, que já foi aprovado pelo executivo, mas que só será assinado após consentimento da assembleia municipal, define as linhas da parceria, cabendo à câmara municipal encontrar, no prazo máximo de um ano, um terreno para a implantação do novo campus universitário, com uma área de dez hectares (o equivalente a 14 campos de futebol), que seria cedido à Nova, em direito de superfície, por 50 anos.
Aquele terreno, porém, terá que preencher requisitos especiais, constituindo condição primordial para a Faculdade de Economia que tenha localização privilegiada, dita icónica, junto ao mar, com boas acessibilidades. E a área a disponibilizar não deverá ser muito inferior a 100 mil metros quadrados, mas suficientemente grande para poder comportar vários edifícios de ensino e administrativos, residências para estudantes e equipamentos desportivos, de conforto e lazer.
E por icónico pode entender-se mesmo "junto ao mar", sublinha José Ferreira Machado, director da Faculdade de Economia, exemplificando-o com a localização da Fundação Champalimaud, em Belém. E sugere, também, a imagem da envolvência das universidades norte-americanas na Califórnia. "Por proporcionarem uma integral vivência académica, onde se habita, estuda, convive e se pratica desporto", justificou.
"O ensino pode ser uma grande indústria exportadora, como já estamos a fazer em Angola na Escola de Negócios [fundada em 2010], com resultado anual de sete milhões de euros", diz o director da Escola de Negócios e Economia.
"Queremos criar condições para atrair talentos para a Nova School of Business & Economics, sendo que um quarto dos alunos que preparam mestrado já são estrangeiros. E para isso precisamos de espaço. Só através da expansão conseguiremos aliar a oferta de boa qualidade de ensino às melhores condições de envolvência e conforto - já que o clima ajuda -, para podermos ser competitivos com a oferta europeia nos cursos de mestrado de Bolonha", afirma.
Financiamento privado
Com 2000 alunos nos cursos de Economia e Gestão, "apertados" no antigo Colégio Jesuíta de Campolide, a necessidade de espaço é premente, até porque a Faculdade de Direito irá ocupar mais área em Campolide, que também irá acolher a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, actualmente na Avenida de Berna.
Assim se iniciaram os contactos exploratórios, a começar pelo ministro da Educação, Nuno Crato, que, de acordo com o director, aprovou a filosofia do projecto. Todavia, diz Ferreira Machado, "não é expectável que o possamos desenvolver com fundos públicos, sendo quase obrigatório que o façamos através de financiamento privado. Mas só depois de encontrarmos o terreno é que começaremos a colocar de pé a ideia", acrescentou.
Até chegar a Cascais, a Faculdade de Economia tentou Lisboa e Oeiras. E se na capital lhe foi dito que não haveria espaço com as especificidades desejadas, em Oeiras - onde a Nova, no Taguspark, mantém um laboratório associado, o Centro de Estudos de Doenças Crónicas - a localização no interior do concelho não seria tão icónica como se desejava.
"O factor de atracção pela envolvência é primordial", sublinha o director da escola, ilustrando a mais-valia desejada com outro exemplo: "Nos Estados Unidos, duas universidades de igual qualidade, mas uma situada em Boston e outra na Califórnia, por qual delas optaria o estudante? Obviamente que escolheria o sol da Califórnia. É essa a proposta de valor acrescentado que também desejamos proporcionar, e a verdade é que recolhemos muito entusiasmo no concelho de Cascais."
O executivo municipal destaca que atrair esta universidade "está dentro da linha estratégica definida pelo município", mas, para já, "é precoce avançar com quaisquer pormenores, pois o protocolo é de carácter exploratório".

