Ex-candidata à Câmara de Mondim de Basto detida na Colômbia com cocaína 
21.03.2009 - 19:24 Por Romana Borja-Santos
A cidadã portuguesa detida, esta semana, no Aeroporto Internacional Alfonso Bonilla Aragón em Cali, na Colômbia, por transportar droga, foi candidata à presidência da Câmara Municipal de Mondim de Basto pelo Movimento Partido da Terra, em 2001. Uma notícia que deixou o deputado do MPT eleito pela lista do PSD Pedro Quartin Graça “muitíssimo espantado”.
O parlamentar e também presidente da Mesa do Congresso do partido mostrou-se “muitíssimo espantado com a notícia” sobre Maria Filomena Morais Félix Pereira e fez questão de salvaguardar que já não tem contacto com a detida há cerca de oito anos. “A sua ligação com o partido foi pontual” e dissipou-se depois das autárquicas de 2001, garantiu Quartin Graça.
Apesar disso, o deputado quis destacar que Maria Filomena sempre se mostrou uma pessoa “séria, aguerrida e combatente” o que, assegura, lhe custou muitos conflitos com o autarca local e alguns processos relacionados com a liberdade de expressão, já que dirigia um jornal de Mondim de Basto.
De acordo com um comunicado do Departamento Administrativo de Segurança (DAS) da Colômbia, a que o PÚBLICO teve acesso, Maria Filomena Morais Félix Pereira e o seu companheiro Rómulo do Nascimento Pereira foram presos na sequência de uma denúncia feita por uma “fonte humana”.
A detenção ocorreu antes de apanharam um voo com destino a Madrid (Espanha), quando passavam pela polícia do aeroporto. Os 7,8 quilos de cloridrato de cocaína que transportavam estavam dissimulados dentro de um portátil, ao qual foi retirado o disco rígido e outros componentes, e numa mala com fundo falso, informaram fontes policiais.
Versões distintas
Os dois portugueses estavam na Colômbia supostamente como turistas. O director do DAS, Jose Alexis Maecha, explicou que não sabe “se os estrangeiros pertencem a alguma rede delinquente específica” mas está seguro se que “tiveram algum contacto para conseguirem os estupefacientes”.
Versão diferente têm os detidos. O PÚBLICO contactou a Secção Consular da Embaixada de Portugal em Bogotá que, apesar de não avançar de que zona de Portugal são as pessoas, e de apenas informar que estão na casa dos 50 anos, explicou que o casal alegou ter sido envolvido num esquema de que não se apercebeu. A mesma fonte adiantou que os portugueses teriam sido roubados e ajudados por desconhecidos que, como forma de retribuição, pediram ao casal para transportar a mala com o computador onde estava a droga detectada. A família do casal já foi contactada mas, ao PÚBLICO, preferiu não prestar declarações.
O homem encontra-se detido na cadeia de alta segurança de Palmira e a mulher – que tem problemas psíquicos e já esteve internada no Hospital de Viana do Castelo – foi enviada para uma prisão de mulheres em Cali. Neste momento aguardam julgamento, sendo que a moldura penal para o crime de tráfico de estupefacientes no país varia entre os três e os 20 anos e admite ainda pesadas multas.
O comandante da Polícia Antinarcóticos, o general Álvaro Caro Meléndez, lembra que as redes de tráfico optam por pessoas de fora da Colômbia por levantarem menos suspeitas: “Pagam-lhes a viagem para entrarem no país como turistas e depois pagam-lhes para transportar a droga”, revela.
Principal produtor mundial de droga
Desde o início do ano, as autoridades já apanharam nove estrangeiros que traficavam estupefacientes nesta zona e 16 quilos de cocaína ou heroína. Durante o ano passado foram apanhados 135 estrangeiros pelo mesmo crime em todo o país, contra 203 em 2007. A Colômbia é o primeiro produtor mundial desta droga, fabricando 600 toneladas por ano, mais de 60 por cento da produção mundial, segundo dados da ONU.
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