Espinho gosta da Alameda 8 mas há mais obra por fazer na zona

16.07.2010 - 08:43 Por Sara Dias Oliveira
Arranjou-se o espaço à superfície da linha férrea, que se transformara em "depósito de lixo", mas esta intervenção deve ser "precária".
A zona estava vedada e começava a acumular lixo de várias proveniências. O mapa de Espinho tinha uma nódoa na área que ficou deserta depois da obra de rebaixamento da via férrea. Entretanto, o entulho foi retirado, o chão asfaltado e ajardinado e montou-se um palco para algumas iniciativas, com um ecrã gigante que já serviu para ver os jogos do Mundial de futebol. Fizeram-se ainda um parque infantil, rampas de skate, esplanadas e casas de banho móveis. Em poucos meses, a câmara modificou a paisagem do coração do município, onde o comboio continua a circular, agora em túnel, e baptizou provisoriamente o novo recinto como "Alameda 8".
Os habitantes de Espinho agradecem a intervenção. "O arranjo é bem-vindo, porque esta zona era um depósito de lixo", diz Maria Odete Oliveira, que mora ali perto. "O parque infantil está todo o dia cheio de crianças, mas faltam alguns bancos para os adultos se sentarem. Nos dias em que jogava Portugal, estava cheio de gente, era lindo de se ver." Está satisfeita com o panorama, mas deixa um reparo. "Só espero que façam o que tinham projectado para esta zona, que não seja um "provisório definitivo".
Rosalina Pereira também está satisfeita. "Este espaço estava uma calamidade e ficou óptimo com as obras". Considera a intervenção "interessante", mas espera que se esta se alargue para norte. "Este espaço está sempre muito concorrido. Sá faltam umas cadeiritas para os mais velhos", comenta. Armando Morgado mora a dois passos da nova Alameda 8 e não fica indiferente à agitação. "Está mais animado", garante. E o que pensa da intervenção no espaço? "Acho que ficou bem, limpo e prático e agora tem um espaço para as crianças." No entanto, Armando Morgado não esquece que há um projecto para ser aplicado naquela área. "Tem "chuveirinhos" e uma urbanização em frente ao casino."
As contas do arranjo urbanístico ainda não foram feitas, mas o presidente da Câmara de Espinho, Pinto Moreira, garante que a obra "não foi excessivamente cara". "É uma intervenção provisória, precária e que se destinou a uma lavagem de cara com o objectivo de devolver aquele espaço aos espinhenses". "Era absolutamente inaceitável que esse canal continuasse por um, dois ou três anos com aquelas condições absolutamente degradantes - era um depósito do lixo", reconhece.
A zona estava a esmorecer e o autarca temeu o pior. "Os espinhenses não nos perdoariam, se não fizéssemos nada. A cidade, do ponto de vista turístico, social e económico, não suportaria mais aquela situação, morreria definitivamente." Neste momento, a autarquia equaciona estender o arranjo para sul e a norte abrir uma saída da cidade para permitir o fluxo automóvel junto às praias.
Projecto em banho-maria
O projecto que venceu o concurso internacional de ideias para a recuperação da zona liberta à superfície da linha férrea de Espinho está a ser analisado pela câmara. Pinto Moreira adianta que a situação financeira do município não o permite executar. Mesmo assim, o autarca admite que avance ainda neste mandato a intervenção, que representa um investimento da ordem dos 10 milhões.
"Sempre dissemos que o projecto era interessante, mas há algumas questões que terão de ser ponderadas, nomeadamente a execução faseada da obra e alguns acertos que não desvirtuem a ideia base", concretiza. Pinto Moreira explica o que mudou. "Há duas premissas que estão alteradas. A actual conjuntura económica e financeira do município é particularmente difícil e a segunda versão do PEC [Plano de Estabilidade e Crescimento] veio a agravar a situação." Feitas as contas, o autarca estima que as medidas do PEC tenham um impacto superior a um milhão de euros no orçamento municipal. "O que nos obriga a alguma contenção e a repensar alguns dos projectos que tínhamos pensado", avisa.

