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Durante as obras numa escola

Descobertos vestígios arqueológicos da época romana em Alcácer do Sal

05.11.2009 - 08:45 Por Lusa

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Um conjunto de tanques, cerâmica, uma cisterna e três esqueletos são alguns dos vestígios da época romana encontrados no local onde estava prevista a construção, já suspensa, do Centro Escolar do Torrão, concelho de Alcácer do Sal.

“É uma série de tanques associados a muros, numa área de dispersão de cerca de 500 metros quadrados, com um grau de conservação elevado, bem como dois enterramentos, um do sexo feminino e outro do masculino, sendo o do sexo feminino associado também a uma criança”, revelou a arqueóloga responsável pelas escavações, Catarina Cabrita.

Os vestígios, que podem ser de um complexo industrial ou de umas termas do período romano, levaram à suspensão temporária e alteração, por parte da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, do projecto de construção do Centro Escolar do Torrão para que prossigam as escavações.

“Os vestígios surgiram precisamente onde seria construído o edifício do primeiro ciclo. Portanto, tivemos que pensar o que fazer, porque são vestígios até ao momento bastante importantes”, explicou Catarina Cabrita, felicitando a decisão da autarquia, que salvaguarda que “nada será destruído”. A descoberta vem responder a questões relacionadas com a “evolução histórica”, que já apontava que “deveriam aparecer mais coisas que estão de facto agora a aparecer”, na zona da vila do Torrão.

Além de três tanques completos, diversas estruturas, muros e degraus, a equipa de arqueologia encontrou “cerâmica doméstica e de uso industrial, moedas e cerâmica “fina” importada, mais propriamente terra sigillata (cerâmica considerada ‘de luxo’)”. Estas descobertas não provocaram “grande surpresa” aos arqueólogos da Câmara de Alcácer do Sal, segundo a autarquia, pois “aquela área já estava identificada como sensível deste ponto de vista, daí o acompanhamento arqueológico desde o início”.

“A dispersão e dimensão dos achados é que ganham relevância para uma localidade como o Torrão, mas têm provavelmente a ver com a passagem muito perto da ligação a Beja, já existente na época romana e cujo traçado foi aproveitado pela actual estrada”, explicou ainda a arqueóloga. Agora, é “deitar mãos à obra”, porque ainda “falta muito trabalho” e há “muita escavação pela frente”, concluiu.

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