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Quase um mês após a tragédia, madeirenses receiam voltar

Desalojados pelo temporal na Madeira resistentes em regressar a casa

10.03.2010 - 11:18 Por Lusa

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As autarquias vão continuar a ajudar as pessoas nas limpezas das habitações e acessos As autarquias vão continuar a ajudar as pessoas nas limpezas das habitações e acessos (Enric Vives-Rubio)
Alguns dos desalojados pelo temporal que devastou a Madeira no mês passado estão a manifestar resistência em regressar às suas casas. A vereadora da Câmara Municipal do Funchal, Rubina Leal, explica que se trata de uma consequência do “stress pós-traumático” de que muitas das pessoas afectadas pela tragédia sofrem e que “não está a ser fácil “ ultrapassar.

Em declarações à agência Lusa, a autarca responsável pelo pelouro social do Funchal explicou que foram realojadas até ao momento no concelho 155 pessoas afectadas pela intempérie que provocou 43 mortos, oito desaparecidos e 600 desalojados, além de avultados danos materiais.

Rubina Leal sustenta que este é o “stress pós-traumático não é ficção, mas uma realidade”, pois muitos passaram por situações muito complicadas, sendo esta “uma forma de ansiedade que as impede de regressar às suas origens porque foram alvo de uma catástrofe natural”. “Existem famílias originárias da zona de Santo António que demonstram alguma resistência no regresso às suas habitações”, adianta.

Estas pessoas “estão a ser acompanhadas” e o objectivo é “ajudá-las a retomar as suas casas, as que estão em condições de serem habitadas e têm os acessos devidamente adequados”.

A vereadora “não ser fácil”, pois estas pessoas perderam os seus bens materiais e o seu espaço, mas as equipas vão “continuar a trabalhar e a insistir para que ultrapassem esta fobia e este medo que surge após o momento de crise como foram as cheias de 20 de Fevereiro”. Rubina Leal sublinha que estas pessoas reconhecem que “a casa está intacta, sofreu alguns danos, é habitável, mas têm medo de voltar”.

Rubina Leal salienta que a câmara e as juntas de freguesia do Funchal vão continuar a ajudar as pessoas nas limpezas das habitações e acessos, acrescentando que vão estar no terreno grupos de voluntários, militares e profissionais.

“Nas zonas altas do Funchal, os acessos estão a ser limpos, estão a ser identificadas as zonas que poderão ser de risco e vistoriadas todas as casas de todas as pessoas que foram afectadas”, revela. “Depois do dia 20 e daquela primeira semana têm surgido cada vez mais casos” de pessoas com problemas habitacionais que “estão a ser devidamente acompanhados”.

Após o levantamento, “vamos proceder às obras ajudando as pessoas através da entrega de materiais de construção civil para que possam repor as suas habitações”, acrescentou.

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