Desabamento de parede no Mercado de Setúbal ainda sem explicação

07.02.2012 - 22:57 Por Natália Abreu
Ninguém consegue explicar os motivos que estiveram na origem da derrocada de uma parede no mercado do Livramento, em Setúbal, ao final da tarde desta terça-feira, e que provocou a morte de cinco operários da empresa ABB (Alexandre Barbosa Borges, SA) que trabalhavam na ampliação do edifício.
Às acusações de negligência por parte de Luís Bernardo, proprietário de uma loja no mercado, que admite que o acidente se ficou a dever à existência de uma “vala com cerca de três metros de profundidade que estava a ser aberta ao longo da parede sul e que não tinha qualquer suporte de sustentação”, o presidente da associação de comerciantes do mercado responde que “nada fazia prever um acidente destes.” Henrique João diz mesmo que “nestas situações toda a gente faz especulações de todo o género” e assegura que a referida parede sempre foi alvo da preocupação dos comerciantes uma vez que nela existia um painel de azulejos secular.
“Se nós tivéssemos detectado alguma coisa errada, ou algum risco para a parede ou para a sua segurança, teríamos chamado a atenção e feito o alerta”, garante, adiantando que, em conversa com os responsáveis da empresa construtora, lhe foi dito que “não há uma explicação lógica para o acidente. Pode ter sido o vento que tem soprado com rajadas muito fortes.”
Embora tenha sido inicialmente anunciada a presença dos responsáveis pela obra na conferência de imprensa conjunta com a Câmara de Setúbal, proprietária do imóvel, nenhum representante do empreiteiro esteve disponível para responder aos jornalistas uma vez que estavam no local da derrocada onde a Autoridade para as Condições do Trabalho, juntamente com as autoridades policiais e de protecção civil, levavam a cabo diligências para apurar as responsabilidades.
No encontro com a imprensa, Maria das Dores Meira, presidente da autarquia anunciou que esta quarta-feira em reunião pública do executivo “será votado um dia de luto em memória destas cinco vítimas”. A edil explicou que na altura do acidente estariam no local mais de duas dezenas de trabalhadores que “procediam a trabalhos de carpintaria de tosco e de armação de ferro para as fundações das paredes de ampliação do mercado.” A autarca assegura que todas as precauções de segurança estavam a ser tomadas e que “a obra era acompanhada por uma empresa de fiscalização e por técnicos municipais”.
A derrocada da parede com cerca de 50 metros de comprimento e oito de altura provocou alguma instabilidade nas paredes laterais do edifício que ainda não tinham sido alvo de recuperação e que correm risco de caírem, estando por isso a ser escoradas. No entanto, Dores Meira assegura que “o edifício recuperado não corre qualquer risco”.
A parte sul do mercado está agora apenas protegida por uma tela que tapava os azulejos que seriam alvo de restauro, por isso a PSP assegura as condições de segurança do edifício e bens existentes. O mercado deverá manter-se fechado por alguns dias. A presidente da câmara e o representante dos comerciantes garantem que só quando estiverem asseguradas todas as condições de segurança para vendedores e clientes o mercado voltará a abrir.
A autarquia, em colaboração com a Cruz Vermelha e a Cáritas Diocesana asseguram apoio às famílias das vítimas e aos trabalhadores que se encontravam no edifício aquando do acidente e que receberam já apoio psicológico e estão a ser acompanhados pelos técnicos da inclusão social da câmara.
A ABB é também, neste momento, a empresa a quem foi adjudicada a empreitada de recuperação do Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal. A câmara garante que “mantém total confiança no empreiteiro”, até porque “nada faria supor uma situação destas, já que existem as melhores referências desta empresa”.
O mercado do Livramento foi alvo de obras de recuperação durante aproximadamente um ano tendo reaberto em Outubro do ano passado. As obras que estão a decorrer actualmente são de ampliação e construção de um novo edifício onde vai ficar instalada a parte técnica do mercado.

