Demolido pavilhão devoluto na Damaia que hortelões queriam recuperar para actividades

29.07.2011 - 12:43 Por Cláudia Sobral
Um pré-fabricado devoluto, que os hortelões da Horta Comunitária da Damaia se preparavam para recuperar, começou a ser demolido esta quinta-feira.
Num logradouro entre prédios, onde nada havia, um grupo de pessoas criou a Horta Comunitária da Damaia - e onde parecia que nada cresceria, tudo prosperou. No mesmo terreno municipal, a Praceta Luiz Verney, na Damaia, Amadora, há um pré-fabricado devoluto, que os hortelões se preparavam para recuperar. Serviria de apoio à horta e a actividades sociais e pedagógicas ligadas à agricultura e à ecologia. Esse pavilhão começou ontem a ser demolido.
Os agricultores urbanos preparavam-se para tentar impedir a demolição, que julgavam marcada para esta manhã, contou um deles, Rui Ruivo. Mas quando, ontem à tarde, Joana Pereira chegou ao local para se encontrar com o PÚBLICO já um bulldozer rasgava as frágeis paredes do pré-fabricado. Meio pavilhão demolido e os trabalhos foram interrompidos - os responsáveis camarários recusaram-se a explicar porquê, mas a máquina terá recuado perante a insistência de dois especialistas chamados pelos hortelões, que garantiram que alguns dos materiais contêm amianto.
Para o presidente da Junta de Freguesia da Damaia, António Gonçalves - como para alguns moradores dos prédios em volta -, a demolição do pré-fabricado era necessária, porque era tecto de dois toxicodependentes. A outros, como Maria Julieta, o pavilhão e os toxicodepententes nunca incomodaram. "Este espaço devia ser aproveitado, não há sequer um parque infantil na Damaia", lamenta. Quanto aos que lá dormiam, "não incomodavam nada".
Já a horta, com enormes tomates, feijão verde e muito mais, é consensual para os moradores - e para o presidente da junta - que acham que deve ser mantida. Quem não pensa assim é o vereador dos Espaços Verdes da Amadora, Gabriel Oliveira, que diz tratar-se de "uma zona verde que não é para fazer hortas". Nos espaços não cultivados medram ervas daninhas e, dizem os moradores, nunca nada se fizera ali. Ontem foi entregue na câmara uma petição (que Rui Ruivo diz ter mais de 500 assinaturas) pela continuidade deste projecto de horticultura biológica e pela não demolição do pré-fabricado. Gabriel Oliveira, ao telefone, diz não conhecer a petição. "Aquilo é um espaço municipal e isto não é o PREC". A autarquia, afirma, tem projectos para hortas urbanas em locais mais adequados. "A demolição já se iniciou. Se vão tirar a horta não faço ideia, nem sei como é a horta."

