De residência da família Sinel de Cordes a escola primária

10.02.2012 - 19:22 Por Alexandra Prado Coelho
No imponente hall de entrada do Palácio Sinel de Cordes, no Campo de Santa Clara, em Lisboa, há ainda enfeites de Natal - provavelmente do último Natal, há cinco anos, em que a escola primária ali instalada funcionou. Outras marcas ficaram desse tempo: no quadro preto na parede de uma das salas de aula ainda está escrita, a letra infantil, a conjugação de um verbo.
O Palácio Sinel de Cordes - a partir de Março a nova morada da Trienal de Arquitectura - tem marcas das suas várias vidas.
Foi mandado construir no século XVIII pela família Sinel de Cordes, que, segundo os genealogistas, provém da nobreza flamenga, e que inclui entre os seus membros cavaleiros da Ordem de Cristo, membros do Santo Ofício e fidalgos da Casa Real. Instalada inicialmente na zona do Camões, a família muda-se definitivamente para o Campo de Santa Clara depois do terramoto de 1755.
Já no século XIX, o palácio é comprado pelo visconde José Correia Godinho da Costa, juiz do Supremo Tribunal Militar, e pensa-se que será então que são introduzidas algumas modificações como a balaustrada e as estátuas que ainda hoje se vêem no topo (neoclássicas, semelhantes às que decoram os nichos dos arcos de acesso ao Palácio da Ajuda), e a decoração neogótica na escadaria que acede ao piso nobre.
Mais tarde, o palácio abrigou ainda a Legação de Itália, época em que sofreu um violento incêndio, que destruiu grande parte do interior. Foi reconstruído, e foram introduzidas novas alterações. Por fim, a escola primária foi instalada e, mais uma vez, o edifício foi adaptado aos novos usos.
No piso nobre há vários salões, espaçosos e com grandes janelas das quais se vê o Panteão e, mais ao longe, o Tejo. É em três destas salas que a Trienal organiza hoje o lançamento do livro do arquitecto Eduardo Souto de Moura. Depois será preciso fazer limpezas mais profundas e melhoramentos para o espaço ficar pronto a ser utilizado.
No piso inferior existe uma cozinha, a precisar de obras de recuperação, e um refeitório, cujas portas dão para um pátio exterior. Aí ainda resistem, embora em mau estado, os velhos telheiros do tempos da escola, e ainda se vêem desenhos infantis pintados nos muros.

