O organismo que dirige o Rivoli, Culturporto, anunciou hoje ter solicitado aos ocupantes daquele teatro que abandonem as instalações, afirmando desconhecer o objectivo da ocupação iniciada cerca da meia-noite.
Cerca de duas dezenas e meia de pessoas ocupam há mais 18 horas o Teatro Rivoli, protestando contra a decisão camarária de privatizar a gestão daquele espaço municipal.
Em comunicado, a direcção da Culturporto - organismo que dirige o Rivoli e que a Câmara do Porto pretende extinguir, entregando a concessão do teatro a privados - afirma ter sido surpreendida pela ocupação do espaço.
"Fomos surpreendidos com o facto da Companhia Teatro Plástico, que se manteve, com todas as despesas por conta da câmara, no Teatro Rivoli de 6 a 15 deste mês, se recusar a abandonar as instalações após a última representação", refere o organismo.
"Por razões de segurança, a Culturporto receia que alguém, animado de espírito agressivo, se possa aproveitar deste acto - cuja finalidade desconhece - pelo que determinou que, enquanto se mantiver a situação, não haverá acesso ao restaurante, serviços administrativos e técnicos", acrescenta.
O organismo municipal afirma já ter solicitado aos ocupantes o abandono do teatro "por forma a que a ocupação não inviabilize a realização, a cargo da Lions Clube da Boavista, com o apoio da Câmara do Porto, do concerto de Luís Represas, cuja receita reverterá a favor da investigação da paramiloidose".
Segundo a Culturporto, "a Companhia Teatro Plástico, que teve uma média de 30 espectadores durante esta cedência, foi uma das entidades convidadas a apresentar propostas de gestão do Teatro Rivoli, o que não fez".
A ocupação começou cerca da meia-noite, depois daquele grupo ter representado a peça "Curto Circuito", de Regina Guimarães, que também aderiu ao protesto.
Na altura encontravam-se na sala cerca de 40 pessoas, mas cerca de uma dezena saiu durante a noite.
A decisão de privatizar a gestão do Rivoli foi tomada dia 25 de Julho pela maioria PSD/CDS-PP na Câmara Municipal do Porto.
Trata-se de uma das mais conhecidas salas de espectáculo da cidade, inaugurada em 1926.
"A receita do Rivoli cobre seis por cento da despesa", justificou o presidente da autarquia, Rui Rio, afirmando que a câmara canaliza 7500 euros por dia para o teatro.
Cinco empresas concorreram à gestão do Rivoli e até ao final de Outubro será conhecido o nome da que vai gerir o teatro.


