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Defende que o raptor conhecia hábitos da família

Criminalista Barra da Costa acredita que o sequestrador de Madeleine é inglês

07.05.2007 - 09:46 Por Lusa

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Barra da Costa defende que houve premeditação neste caso Barra da Costa defende que houve premeditação neste caso (DR)
O criminalista Barra da Costa afirmou ontem ter informações de que a pessoa que sequestrou a menina britânica Madeleine McCann, que desapareceu na quinta-feira do quarto onde dormia, numa unidade hoteleira na Praia da Luz, é um cidadão inglês.

Em declarações à Lusa, o ex-inspector chefe da Polícia Judiciária (PJ) disse ter indicações de que o retrato falado aponta para que o sequestrador seja "um homem alto, de cabelo curto", e que provavelmente foi visto naquela zona há alguns dias, sendo de nacionalidade inglesa.

José Barra da Costa disse concordar com a teoria de que o sequestrador possa ser inglês e conhecedor dos hábitos dos pais da criança, já que seria mais fácil a um cidadão britânico recolher essa informação, até por contacto com os pais. "A informação é essa. O retrato-robô foi feito tendo em conta testemunhos falados sobre uma pessoa que terá sido vista na zona e com características de um cidadão inglês", afirmou, teorizando que o sequestro teve que ser levado a cabo por alguém "que sabia mais do que uma simples pessoa que passou pela zona".

O criminalista defende também que houve premeditação neste caso e um estudo sobre os hábitos dos pais. "Já devia saber que os pais saíam às vezes para jantar na zona e que as crianças estavam sozinhas em casa. Não é o caso de alguém que passa, espreita para dentro de casa e vê algo valioso para roubar e arromba a janela e entra. Era alguém que sabia que as crianças estavam sozinhas", defendeu.

Segundo Barra da Costa, que esteve cerca de 30 anos na PJ, "ninguém força uma janela de uma casa à noite sem ter a certeza de que lá dentro não está ninguém que lhe possa fazer frente". Como exemplo, Barra da Costa falou da sua experiência em casos de assaltos a residências em que o assaltante é surpreendido por alguém que estava em casa, às vezes a dormir, e com o susto acaba por cometer um homicídio.

"Concordo que quem possa estar dentro das circunstâncias deste sequestro possa ser um inglês conhecido da família e que saiba que passos dar para levar a cabo os seus intuitos. Há premeditação absoluta e não uma mera casualidade. Terá sido alguém que tinha perfeita consciência das hipóteses de êxito e de não ser agarrado lá", argumentou. "A coisa foi bem localizada no tempo e no espaço para ser casual", vincou.

O criminalista põe também a hipótese de o sequestrador conhecer a criança, já que assim seria mais fácil ela não resistir quando acordasse, pois poderia dizer-lhe que a iria levar aos pais. Confrontado com o facto de o sequestrador ter deixado ficar os dois gémeos, irmãos de Madeleine, com dois anos de idade, Barra da Costa afirmou: "Três crianças eram muito complicado, podiam começar a berrar ao mesmo tempo. A menina é mais crescida e tem outra consciência das coisas. Também era mais difícil sair com os três".

O criminalista criticou o facto de as buscas feitas pelas autoridades se terem limitado a terra, lembrando a facilidade que seria levar a menina até um barco que estivesse fundeado mas imediações.

José Barra da Costa lamentou que tenha ocorrido novamente no Algarve um caso com uma menina, lembrando-se do caso Joana. "Tenho a esperança de que este caso seja diferente! O caso Joana é o exemplo de como se deve fazer uma investigação, mas ao contrário".

Perímetro das buscas foi alargado

Setenta e duas horas depois do desaparecimento da pequena, as autoridades optam agora pelo silêncio, mas no terreno as patrulhas alargaram ontem para dez quilómetros o perímetro de buscas em torno do local.

Os agentes percorreram ontem a mata de Barão de São João, a cerca de uma dezena de quilómetros da localidade de Praia da Luz, onde desapareceu a criança, e continuam a ser feitas inúmeras operações de vigilância nas estradas das redondezas.

A Polícia Judiciária aliviou a pressão no local do desaparecimento, embora continue a utilizar apartamentos vizinhos de um bloco fronteiro ao Ocean Club — de onde a menina terá sido levada — como posto avançado no local.

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