A CP desmentiu hoje a intenção de encerrar a linha do Corgo, infra-estrutura que completa hoje cem anos de exploração, assinalados com uma viagem a bordo de um comboio histórico.
O comboio chegou a Vila Real pela primeira vez a 1 de Abril de 1906, permitindo que uma viagem que antes se fazia em oito horas de diligência, passasse a demorar apenas uma hora e meia.
A via estreita do Corgo chegou a ligar a Régua a Chaves, mas há 16 anos a CP deixou de explorar o troço Vila Real-Chaves, mantendo apenas os 26 quilómetros entre a capital de distrito e a Régua, onde faz ligação com a linha do Douro.
Hoje nas comemorações do centenário da linha do Vale do Corgo, Nuno Moreira, vogal do Conselho de Administração da CP, garantiu que não há da parte desta empresa "qualquer decisão relativamente ao encerramento de qualquer linha ferroviária", contrariando notícias sobre o encerramento de três linhas da região duriense (Corgo, Tua e Tâmega).
No entanto, o responsável sublinhou que necessário "optimizar" os recursos disponíveis e concretizar parcerias com as autarquias para garantir um maior aproveitamento da linha".
Também Manuel Martins, presidente da Câmara de Vila Real, disse não ter "razões para pensar que a linha do Corgo vai fechar" e defendeu um maior aproveitamento turístico desta via. "Se queremos que o Douro seja o quarto destino turístico do país não podemos matar a galinha dos ovos de ouro", frisou. Para o autarca, apesar da importância estratégica da linha para o distrito, a sua "componente turística não está devidamente aproveitada".
Já Francisco Ribeiro, presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião, disse estar apreensivo sobre o futuro da estrutura, tanto mais que o comboio é o único meio de transporte público da população da localidade de Alvações do Corgo e dos estudantes do secundário que se deslocam diariamente para as cidades da Régua e Vila Real.


