Estudo encomendado pelo ACP contraria tese e planos da Câmara de Lisboa

Corte de trânsito na Baixa vai entupir Chiado e Santa Apolónia

24.01.2009 - 09:16 Por Inês Boaventura

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Tirar os carros do Terreiro do Paço tem sido uma bandeira de António Costa Tirar os carros do Terreiro do Paço tem sido uma bandeira de António Costa (Vasco Neves)
O especialista em transportes Fernando Nunes da Silva defende que o novo conceito de circulação para a frente ribeirinha aprovado pela Câmara de Lisboa "está fundamentado em pressupostos errados" e não avaliou os impactos das alterações previstas "no conjunto da cidade e, em particular, na zona da Baixa/Chiado". As consequências do projecto, alerta, serão "muito gravosas", tornando "uma constante" os engarrafamentos nas avenidas Infante D. Henrique e Ribeira das Naus e aumentando muito significativamente o número de veículos na zona do Chiado.

Estas são as principais conclusões de um estudo de mobilidade encomendado pelo Automóvel Clube de Portugal ao professor catedrático do Instituto Superior Técnico, com o objectivo de provar a insustentabilidade das modificações ao tráfego que a autarquia pretende levar avante. Em declarações ao PÚBLICO, Nunes da Silva defendeu que o projecto camarário é o resultado de "uma posição ideológica não baseada em qualquer estudo de avaliação", tendo sido imposto por António Costa à Sociedade Frente Tejo "contra todas as conclusões" dos técnicos que se debruçaram sobre a matéria.

No referido estudo, o especialista em transportes conclui que o corte de circulação preconizado pela autarquia "iria ter consequências muito gravosas, tanto no que se refere à circulação na Baixa/Chiado, como na própria Avenida do Infante D. Henrique e Avenida da Ribeira das Naus, onde os congestionamentos de tráfego entre Santa Apolónia e Cais do Sodré passariam a ser uma constante". Também problemático seria o acréscimo de "700 a 900 veículos por hora" que a malha envolvente ao Chiado deveria vir a registar, "com particular ênfase no período de ponta da tarde".

Nunes da Silva afirma que a proposta da câmara "está fundamentada em pressupostos errados quanto às características desse tráfego e às funções que a rede viária da Baixa desempenha actualmente no sistema de acessibilidades de Lisboa". Como exemplo, o especialista explica que o tráfego de atravessamento na área da Baixa não representa 70 por cento do total de carros que ali circulam, como diz a autarquia, mas apenas "35 ou 40 por cento".

Quem também se opõe ao modelo da câmara é José Miguel Júdice, que tinha sido convidado para presidir à Sociedade Frente Tejo (que gere a recuperação da zona ribeirinha da Baixa, da zona entre o Cais do Sodré e Santa Apolónia e da zona de Belém), mas acabou por abandonar o cargo antes mesmo de tomar posse. "Eu era contrário ao modelo de tirar 24 horas por dia, sete dias por semana, o trânsito da zona paralela ao Tejo" no Terreiro do Paço, admitiu ao PÚBLICO o advogado. Salvaguardando que as decisões finais relativas a questões de mobilidade caberiam sempre à Câmara de Lisboa e não à sociedade, Júdice diz que preferia "um modelo mais imaginativo, que fizesse menos mal à cidade", como impedir o tráfego automóvel apenas algumas horas por dia.

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Uma ideia para uma solução

Só com três alternativas se poderia pôr fim ao trânsito na Baixa. Uma, com a entrada do trânsito ...

jrocha

26.01.2009 11:15

X

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