Construção de estrada paralela à A29 recomeça após quatro meses de paragem

08.02.2010 - 10:23 Por Aníbal Rodrigues
A construção da estrada que permitirá aos habitantes da Urbanização dos Prazeres, em Rechousa, Gaia, aceder rapidamente à A29 vai ser hoje retomada, segundo garantiu ontem o deputado do PS na Assembleia da República (AR) Fernando Jesus. A nova estrada restitui uma via que desapareceu devido à construção da A29. Para além da estrada, foi ainda destruída uma escola, transferida para outro local, e um lavadouro, que os moradores da Urbanização dos Prazeres acreditam que será reconstruído depois de a estrada ficar pronta.
A reconstrução da estrada começou em Junho de 2009, com uma duração prevista de meio ano. No entanto, dificuldades financeiras do empreiteiro levaram à interrupção das obras a 14 de Outubro. Com a contratação de um novo empreiteiro por parte da Estradas de Portugal, os trabalhos recomeçam amanhã, conforme garantiu ao PÚBLICO Fernando Jesus, que em 30 de Dezembro de 2008 apresentou um requerimento na AR sobre este assunto.
A estrada deverá agora ficar pronta dentro de dois meses. Com ela, os moradores dos Prazeres irão percorrer um quilómetro para aceder à A29, enquanto hoje têm de cobrir cerca de três. Mas este não é o único atributo da estrada. Segundo Manuel Benjamim, o primeiro subscritor de uma petição com 300 assinaturas que, em Novembro de 2004, entrou na AR a reclamar a realização da obra, ela irá também resolver um problema de segurança. Isto porque, actualmente, é muito díficil um veículo de socorro aceder à urbanização em caso de emergência. A nova via servirá também empresas situadas nas proximidades, caso da Luís Simões, Tracar, Socometal e Soares da Costa.
Recentemente, a paragem da obra e o facto de as terras se encontrarem desprotegidas levou a "inundações de terra e lama" em algumas casas, segundo relatou Manuel Benjamim. Talvez por isso, no lado da estrada oposto à placa com a inscrição Rua do Rio alguém pintou a letras negras na parede lateral de uma casa "Rua da Vergonha". Neste caso, Manuel Benjamim pediu apoio à Junta de Freguesia de Canelas e à Câmara de Gaia. No entanto, segundo explicou, só recebeu ajuda da primeira, uma vez que a câmara alegou que a obra pertence ao Estado.
Depois da petição dos moradores, entregue em 2004, ter estado nas mão dos deputados Carlos Lage (PS) e Marco António Costa (PSD), que não lhe deram seguimento, o socialista Fernando Jesus acabou por tornar-se relator da mesma em 31 de Janeiro de 2007. No entanto, Fernando Jesus apresentou o referido requerimento de 30 de Dezembro de 2008, onde demonstrou o seu desagrado por a petição ter estado mais de dois anos sem que os anteriores deputados relatores lhe dessem seguimento. "Atitudes desta natureza contribuem decisivamente para a má imagem que os cidadãos têm dos políticos, competindo à AR adoptar comportamentos que evitem estas situações", pode ler-se no requerimento.

