O concerto de Luís Represas programado para esta noite no Teatro Rivoli, no Porto, foi transferido para a Casa da Música devido à ocupação do teatro municipal por um grupo de actores e espectadores em protesto contra a possibilidade de privatização do espaço.
A Culturporto, que dirige o espaço, indicou que "a direcção entendeu que não havia condições para realizar o espectáculo no Rivoli", agendado para as 21h30 e organizado pelo Lions Clube da Boavista, para angariar fundos para a investigação da paramiloidose, conhecida como a doença dos pezinhos.
Manuel Mota, do Lions Clube da Boavista, disse que a Culturporto se mantém "irredutível" e "só abre as portas se os ocupantes saírem".
Pelo menos 30 pessoas, a maioria das quais ligada à companhia Teatro Plástico, ocupam há mais de 35 horas o Rivoli, protestando contra a intenção camarária de privatizar a gestão daquele teatro municipal.
Em comunicado emitido na tarde de ontem, a direcção da Culturporto afirma ter sido surpreendida pela ocupação do espaço. "Fomos surpreendidos com o facto de a Companhia Teatro Plástico, que se manteve, com todas as despesas por conta da Câmara, no Teatro Rivoli de 6 a 15 deste mês, se recusar a abandonar as instalações após a última representação", refere o organismo.
"Por razões de segurança, a Culturporto receia que alguém, animado de espírito agressivo, se possa aproveitar deste acto - cuja finalidade desconhece - pelo que determinou que, enquanto se mantiver a situação, não haverá acesso ao restaurante, serviços administrativos e técnicos".
O organismo municipal afirma já ter solicitado aos ocupantes o abandono do teatro "por forma a que a ocupação não inviabilize a realização do concerto de Luís Represas".
Porém, os manifestantes mantêm a decisão de só abandonar o teatro quando lhes forem dadas garantias de que o Rivoli continuará a prestar um serviço público.
A ocupação começou por volta da meia-noite de domingo, depois da peça "Curto-Circuito", de Regina Guimarães, que também aderiu ao protesto. Na altura encontravam-se na sala cerca de 40 pessoas, mas uma dezena saiu antes do protesto.
A decisão de privatizar a gestão daquele teatro foi tomada a 25 de Julho passado pela maioria PSD/CDS-PP da Câmara do Porto.
"A receita do Rivoli cobre seis por cento da despesa", justificou o presidente da autarquia, Rui Rio, afirmando que a Câmara canaliza 7500 euros por dia para o teatro.
Cinco empresas concorreram à gestão do Rivoli e até ao final de Outubro será conhecido o nome da futura gestora do teatro.


