Coimbra: Pró Urbe perplexa com falta de projecto para demolições na Baixa

22.03.2005 - 10:24 Por Lusa
A Associação Cívica Pró Urbe está perplexa por terem começado as demolições na Baixa de Coimbra para criar um canal do metro ligeiro de superfície sem um projecto.
A empresa Metro Mondego arrancou, há pouco mais de uma semana, com as demolições na baixa para criar a via inserida no traçado urbano do eléctrico rápido Coimbra/Lousã, prevendo-se a destruição de 42 parcelas edificadas.
"As demolições são legítimas quando são para o bem da comunidade e quando há um projecto motivador, que prove que a cidade vai ficar melhor depois das demolições, senão não têm sentido", afirmou José António Bandeirinha, professor do Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, num encontro organizado pelo Conselho da Cidade de Coimbra na Casa Municipal da Cultura. A reunião visava proporcionar um melhor conhecimento das recentes intervenções iniciadasno centro histórico da cidade para inserir a linha do eléctrico rápido.
Na óptica do arquitecto, "é obrigatório haver um projecto. Qualquer administração pode sair e as demolições são irreversíveis".
Segundo José Machado Mariz, presidente do conselho de administração da sociedade Metro Mondego, este canal na baixa tem de ficar livre dentro de 17 meses a contar após o lançamento do concurso público internacional para o eléctrico rápido, que se verificou no mês passado. "Estamos a avançar no 'timing' certo".
O presidente da Câmara de Coimbra lembrou que o projecto teve uma preparação prévia, que consistiu na realização de um colóquio internacional sobre a intervenção na baixa, num estudo e caracterização da zona encomendado à Universidade (que deverá estar concluído até ao final do mês) e na criação, na autarquia, de um grupo de trabalho que vai elaborar as regras para a intervenção na área, a dinamizar pela Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU).
Segundo o autarca, estas regras deverão ser apreciadas pelo Executivo camarário na próxima reunião e as deliberação deste órgão serão vinculativas. "Há balizas essenciais [para a intervenção], nunca se passará um cheque em branco", frisou Carlos Encarnação.

