World Naked Bike Ride realiza-se em várias cidades europeias

Ciclistas vão pedalar por Lisboa sem roupa e sem preconceito em defesa do ambiente

24.06.2011 - 16:10 Por Inês Boaventura

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A ausência de roupa simboliza a vulnerabilidade do ciclista na cidade, diz a organização A ausência de roupa simboliza a vulnerabilidade do ciclista na cidade, diz a organização (Francois Lenoir/Reuters)
A World Naked Bike Ride, que se realiza em cidades como Madrid, Londres e Amesterdão, chega domingo a Portugal. PSP pode travar iniciativa por "actos contrários à moral"

Lisboa vai ser palco, no domingo, de uma invulgar manifestação em prol do ambiente e da utilização de meios de transporte não poluentes. Haverá ciclistas a pedalarem pelo centro da capital portuguesa, vestidos com pouca roupa, ou mesmo nenhuma. "Pedala o mais nu que conseguires" é o mote desta iniciativa, que ainda pode vir a ser travada pela PS, se esta concluir que se trata de "actos contrários à moral".

Os participantes da World Naked Bike Ride vão reunir-se às 15h30 no Parque Eduardo VII, onde haverá tempo para fazer pinturas corporais e cartazes de protesto. Uma hora depois o grupo de ciclistas em pelota segue em direcção a Belém (ver percurso na infografia), numa iniciativa semelhante àquela que se realiza anualmente em cidades como Madrid, Londres e Amesterdão, México ou Bruxelas.

O fim-de-semana que está à porta também dará oportunidade para os mais púdicos pedalarem vestidos nas ruas de Lisboa e não só: amanhã à tarde realiza-se o Cycle Chic Lisboa e, no domingo de manhã, quem quiser poderá atravessar a Ponte Vasco da Gama com a sua bicicleta.

O Cycle Chic, explica um dos elementos da organização, pretende ser "um passeio descontraído de bicicleta" pelo centro de Lisboa. Começa às 16h no Campo Pequeno. A intenção é que os participantes deixem em casa o equipamento de ciclista, como os calções de licra e as camisolas fluorescentes, e optem antes pela roupa que usam no seu dia-a-dia, como fariam se fossem andar de carro, diz Miguel Barroso.

O adepto e o voyeur

Quanto à iniciativa Tejo Ciclável, que arranca às 7h de domingo no Parque Tejo (no extremo do Parque das Nações), o presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta (FPCUB) revela que já há cerca de 1000 inscritos. Alguns farão o percurso completo - com uma extensão de 84 quilómetros -, mas outros só irão juntar-se ao grupo em Alcochete, para atravessarem a Ponte Vasco da Gama.

A FPCUB também apoia a realização da World Naked Bike Ride e o seu presidente revela, aliás, ser naturista. "O evento, que é internacional, tem piada e é interessante. Tem por princípio a defesa de um planeta melhor e a bicicleta vem por acrescento, como um veículo que se coaduna com esse princípio", sustenta José Manuel Caetano.

O presidente da federação acredita que a passagem de um grupo de ciclistas nus por Lisboa não vai ser mal recebida, até porque "os que estão a ver têm um voyeur dentro deles e querem espreitar". Já o representante da Cycle Chic, Miguel Barroso, confessa ter receio que esta iniciativa contribua para que se chame "maluquinho" a quem se desloca em duas rodas na cidade. "É um protesto e uma maneira de chamar a atenção mas se queremos pôr as pessoas a andar de bicicleta não sei se é a melhor forma", sublinha.

"Vamos nus para demonstrar a vulnerabilidade que os ciclistas têm na cidade", responde um dos responsáveis pela World Naked Bike Ride, que acredita que a projecção mediática desta manifestação tem sido tanta que ninguém será apanhado de surpresa. "Há pessoas que ficam desagradadas com tudo e mais alguma coisa, mas nós não vamos estar a provocar ninguém", acrescenta Rui Martins.

O Governo Civil de Lisboa não se opôs a este passeio de bicicleta em pelota, mas fez saber que "será a autoridade policial a avaliar, no local e no momento da realização do desfile, se a iniciativa e a forma como a mesma será desenvolvida possam conter em si actos contrários à moral, que determinem a interrupção da mesma". A legislação que regula esta matéria diz que o desfile só poderá ser interrompido se se verificar a "prática de actos contrários à lei ou à moral ou que perturbem grave e efectivamente a ordem e a tranquilidade públicas". Quanto ao naturismo, a lei diz que os espaços para a sua prática - como praias, piscinas e ginásios - carecem de autorização das "assembleias municipais".

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Como de custume...

Mais uma vez as forças retrogadas da sociedade conseguem parar um movimernto, que não endo nada de ...

tonistreets

25.06.2011 23:54

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