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Tragédia na Madeira

Cavaco Silva quer ilha coberta com o "verde da esperança"

25.02.2010 - 08:00 Por Tolentino de Nóbrega, Funchal

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Cavaco Silva ontem com Alberto João Jardim no centro do Funchal Cavaco Silva ontem com Alberto João Jardim no centro do Funchal (Enric Vives-Rubio)
O Presidente da República disse ontem, no Funchal, que o "espírito de entreajuda dos madeirenses foi uma lição para o país".

O Presidente da República, após ter visitado ontem algumas das zonas mais afectadas pelo temporal de sábado, declarou que o "espírito de entreajuda dos madeirenses foi uma lição para o país" e reiterou a solidariedade de todos os portugueses com a região.

"Os portugueses estão convosco. Os portugueses devem unir-se à volta dos madeirenses" e "não vos esquecerão", frisou Cavaco Silva, fazendo eco da enorme onda de solidariedade que traz "mais coragem" aos madeirenses para enfrentar o rasto catástrofe.

Frisando que no espírito de solidariedade evidenciado nesta tragédia não excluía ninguém, o Presidente da República lembrou o que o primeiro-ministro e alguns ministros "manifestaram solidariedade muito clara em relação à Madeira" e, inclusivamente, anunciaram a concretização de algumas medidas de apoio.

Ao transmitir as suas "palavras de conforto" à população desta região em luto e com marcas bem profundas de destruição, Cavaco Silva disse "ter esperança na reconstrução", recomendando que nestes trabalhos deve haver um "planeamento para o futuro" e "inteligência para saber aproveitar todos os apoios expressos em relação à Madeira".

"Isto é o tempo de pôr os olhos no futuro, de fazer a avaliação dos prejuízos, não apenas para efeitos de diálogo com o Governo da República, mas também com as instituições da União Europeia", frisou o Presidente da República.

Acompanhado por Alberto João Jardim e por membros do governo regional, Cavaco Silva manifestou o seu pesar às famílias enlutadas e elogiou" a resposta eficaz das autoridades sob a coordenação do Governo Regional que se manifesta de forma nítida na remoção dos escombros, na limpeza das estradas e das máquinas que trabalharam 24 horas por dia".

Na remoção de pedras e lamas estão envolvidos 280 camiões e 164 máquinas pesadas, na maioria de empresas privadas que se associam ao equipamento que foi mobilizado pelo governo regional e autarquias. Os trabalhos estão a incidir particularmente na limpeza dos três principais ribeiras da cidade, retirando inquantificáveis toneladas de pedra e lama, de modo a repor o normal curso das águas que poderão subir com as chuvas previstas para os próximos dias. "Até ao fim de semana fica tudo limpo", garantiu o presidente da câmara, Miguel Albuquerque ao Presidente da República.

"Deviam ir às zonas altas"

Cavaco Silva, depois de ter verificado localmente o ritmo dos trabalhos remoção dos destroços e de limpeza, declarou ter ficado convencido de que "não será daqui a muito que o Funchal será uma cidade renascida, como também a Ribeira Brava". "Se tivesse que pintar a Madeira [agora, depois do temporal que assolou a ilha] seria com as cores da esperança", disse. E, em sintonia com a estratégia montada pelo executivo madeirense na defesa de um sector vital para a economia regional, o turismo, revelou o facto de as infra-estruturas hoteleiras da região terem ficado intactas, "o que garante que a actividade económica pode rapidamente arrancar".

A avenida marginal do capital madeirense foi o primeiro local visitado por Cavaco Silva, nesta deslocação de quatro horas à Madeira. "Deviam ir às zonas altas, isto aqui não é nada e está a ficar limpo para os turistas", dizia, com alguma indignação, uma funchalense aos jornalistas que aguardavam a chegada do Presidente da República à Praça da Autonomia.

"Só quem vem ao local é que tem a verdadeira noção dos prejuízos que atingiram, neste caso, o Funchal. Impressiona, não deixa de impressionar", disse Cavaco Silva depois de ter assistido aos trabalhos de limpeza que decorriam na baixa citadina do Funchal. Também na Meia Légua, Tabua e na Ribeira Brava, o segundo concelho mais fustigado pelo temporal, observou os molhes destruídos e a dimensão das rochas que a ribeira trouxe até ao litoral. "Observar o tamanho das rochas que foram retiradas do leito da ribeira mostram a nossa pequenez", disse.

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Porquê a tentativa de ocultar

a verdadeira dimensão da tragédia? E ao mesmo tempo difundir-se um video oficial pela ...

Sem Papas na Língua

25.02.2010 10:40

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