Cascais: moradores do Fim do Mundo fazem vigília de protesto contra demolições previstas para amanhã

21.01.2008 - 15:59 Por Lusa
Os moradores do bairro do Fim do Mundo, em Cascais, promovem hoje uma vigília de protesto contra as demolições previstas para amanhã e que, segundo a Associação Solidariedade Imigrante, vão deixar na rua 26 pessoas.
De acordo com um comunicado da Associação de Moradores do Fim do Mundo e do Grupo Direito à Habitação, no passado dia 8 a autarquia garantiu que as próximas demolições só aconteceriam a partir de 15 de Fevereiro e que seriam demolidas casas de pessoas já realojadas ao abrigo do Programa Especial de Realojamento (PER).
"Na última sexta-feira, os moradores do bairro foram surpreendidos com uma equipa de técnicos e um aparato policial, que ao bairro foram colar editais de demolições previstas para amanhã (22/01) em 12 casas, além de lhes cortarem a luz e água, sem o menor aviso prévio", acrescenta a Associação.
Segundo disse Rita Silva, da Associação Solidariedade Imigrante, ao contrário do que a Câmara tinha acordado, estas demolições "deixam na rua 26 pessoas, sem qualquer alternativa".
A responsável diz que as demolições previstas para amanhã incluem igualmente o caso de uma mulher com cinco filhos, que está inscrita no PER, mas que até ao momento apenas foi informada pela autarquia que "terá a chave da nova casa daqui a três ou quatro semanas".
"O que temos pedido é que a autarquia articule com o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana uma alternativa para as pessoas que ficam sem casa. Até pode ser temporário..., mas a câmara diz que os moradores têm de negociar directamente", explicou, acrescentando que o IHRU "diz que só negoceia com as câmaras, que elas é que têm de funcionar como intermediários".
Em comunicado, a Associação de Moradores do Fim do Mundo e o Grupo Direito à Habitação lembram que o Programa PROHABITA accionado pela Câmara de Cascais "prevê a construção de casas sociais somente para 55 agregados familiares, mas sabe-se que a demanda da população é mais que o dobro deste número".
Na reunião com a comissão de moradores, a autarquia comprometeu-se igualmente a fazer um novo levantamento das casas do bairro.
"Os moradores do Fim do Mundo não aceitam mais essa falta de respeito e estão dispostos a resistir à demolição de amanhã", marcada para as 08h30, lembra a Associação em comunicado.
O PER do concelho de Cascais, lançado em 1993, tem cinco mil famílias inscritas para realojar. No Fim do Mundo, que está a ser demolido desde 2002, estão recenseados 278 agregados familiares.
Há ainda um protocolo negociado entre a Câmara de Cascais e uma Instituição Particular de Solidariedade Social que prevê a construção de casas para 55 famílias.
Segundo a Associação Solidariedade Imigrante, há no bairro do Fim do Mundo 110 famílias fora dos programas de realojamento.
Acabar com o bairro do Fim do Mundo, no Estoril, foi uma promessa feita por muitos autarcas, mas cuja solução tem demorado a acontecer.
Desde os anos 70 que o vale da Galiza foi sendo preenchido com centenas de barracas construídas por imigrantes da Guiné, Cabo Verde, Angola e de etnia cigana. Os cerca de dois hectares de terreno camarário que constituem o Bairro do Fim do Mundo serão futuramente ocupados por um Centro Comunitário.

