Cascais: demolições no bairro do Fim do Mundo iniciaram-se sob clima de indignação

22.01.2008 - 11:21 Por Lusa
Os trabalhos de demolição de doze barracas no Bairro do Fim do Mundo, em Cascais, começaram hoje às 09h00, perante a indignação das 26 pessoas que afirmam que irão ficar desalojadas.
"Não tenho nada e não tenho sítio para onde ir. A Câmara diz que sou isolado, que vivo sozinho e não tenho direito a casa", disse o guineense Almeida da Silva, legalizado e residente no bairro há sete anos.
Rita Silva, da Associação de Solidariedade Imigrante, lembrou que 26 pessoas vão ficar desalojadas, uma das quais, "uma idosa e doente, que vai ficar 13 dias numa pensão e depois não terá para onde ir".
"A Câmara anda a acalmar os ânimos assim: a Isabel tem três dias na pensão, a Dina tem três dias e a Teresa treze e os homens não têm qualquer solução", disse, referindo-se a casos de desalojados a quem a autarquia pagará a estada numa pensão por uns dias.
No entanto, em comunicado divulgado ontem, a autarquia de Cascais garantiu que nenhuma família do Bairro do Fim do Mundo ficará desalojada devido à demolição das barracas.
A autarquia afirmou que o realojamento das famílias afectadas pelas demolições "foi devidamente acautelado" e que as pessoas "vão ser realojadas em vários empreendimentos de habitação social do concelho".
Os moradores vão deslocar-se ainda hoje à Câmara Municipal de Cascais, onde tentarão ser recebidos pelo presidente, António Capucho.

