Carros de combate para as Forças Armadas vão ser fabricados no Barreiro

05.05.2006 - 11:50 Por Inês Sequeira, PÚBLICO
A empresa austríaca Steyr-Daimler-Puch vai iniciar a produção de 219 carros de combate para as Forças Armadas portuguesas numa fábrica do concelho do Barreiro, até ao final deste ano.
Em causa está um acordo já firmado entre a fabricante de carros de combate e uma empresa portuguesa criada por ex-quadros da antiga fábrica da Bombardier da Amadora, a GOM - Gestão e Operações Metalomecânicas.
De acordo com a representante da Steyr em Portugal, a empresa austríaca está neste momento a investir na aquisição de várias máquinas para as instalações do Barreiro, específicas para a produção dos novos veículos, e a adaptar outra maquinaria já existente.
A unidade é actualmente especializada em reboques, trailers e semi-trailers, e tem um número reduzido de trabalhadores. Será através da compra ou do aluguer dessa fábrica, situada na freguesia de Santo André, que a GOM vai assegurar a produção dos carros de combate.
As estimativas dos responsáveis austríacos apontam para a criação, em Portugal, de cem postos de trabalho directos, qualificados, e ainda para 500 postos de trabalho indirectos relacionados com fornecedores de materiais para os blindados. Prevista está também a transferência de tecnologia nesta área, que irá traduzir-se por exemplo na formação de cerca de 15 técnicos portugueses numa fábrica austríaca.
O acordo ontem anunciado relaciona-se com o programa de contrapartidas proposto pela Steyr-Daimler-Puch ao Estado português, no âmbito da venda de 260 viaturas blindadas do modelo Pandur II para o Exército e Marinha portugueses. Este contrato foi assinado ainda pelo anterior ministro da Defesa, Paulo Portas, mas só recebeu luz verde do Tribunal de Contas durante o actual Governo, no final do ano passado. O objectivo é substituir as Chaimites, que já têm cerca de 40 anos.
Aposta no mercado africano
Nas contas da Lei de Programação Militar, este é um dos contratos mais importantes de aquisição de equipamentos de defesa para as Forças Armadas portuguesas. O montante total de investimento do Estado deverá ascender a 364,4 milhões de euros, dos quais cerca de 344 milhões para a aquisição das viaturas. O dinheiro restante será para a compra de material sobressalente. O calendário da operação aponta para 2010 como o ano em que será entregue o último dos 260 blindados.
Entre as várias contrapartidas avançadas pela Steyr está também o fabrico adicional de mais 50 carros de combate pela GOM, com vista à venda para o mercado dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). Esta produção será paralela ou posterior ao fabrico das viaturas para o Exército e a Marinha portugueses, mas desde já garante um volume de negócios de cerca de 80 milhões de euros, acrescenta em comunicado a empresa austríaca.

