Carnaval e a hotelaria a preços de saldo não foram suficientes para animar o turismo no Algarve

21.02.2012 - 19:27 Por Idálio Revez
Loulé, o centro dos festejos carnavalescos, registou 25 mil visitantes, mas a capacidade de consumo extra ficou-se pelo café e a água. Os hotéis estão vazios.
O Carnaval de Loulé foi o principal cartaz de animação turística do Algarve, em tempo de época baixa. Segundo a organização, durante a terça-feira de carnaval estiveram no corso cerca de 25 mil pessoas. “O melhor dia dos três em que decorreram os festejos”, acrescentou o vereador do Turismo, Joaquim Guerreiro, reconhecendo que houve “muitos visitantes, mas o poder de compra anda por baixo”. Da mesma opinião partilharam vários empresários ligados ao sector turístico.
O hotel da cidade “Loulé Jardim” , com uma capacidade de 54 quartos, só teve uma dezena de quartos ocupados. “Isto está de pantanas”, comentou o proprietário, Filipe Contreiras, lembrando que a situação tem vindo “progressivamente a piorar, sem que sejam tomadas medidas”. No mesmo sentido, Joaquim Guerreiro sublinha: “A falta de tolerância de ponto não ajudou nada”, observou. No recinto do corso, a câmara municipal afixou um cartaz com um convite aos visitantes: “Neste Carnaval, visite o comércio local. Esperamos por si!”. No entanto, a maior parte das lojas encerraram.
À porta do café “Calcinha”, Joaquim Prado olhava as pessoas a passar pela rua, a caminho do corso: “No Domingo, ainda vendi umas coisas, águas e cafés, hoje está mais fraco – veio muito gente, mas há pouco dinheiro”, comentou. Os espanhóis da região da Andaluzia, presença habitual nos festejos, fizeram-se notar pela ausência. O presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, sublinha que o Carnaval “tem funcionado como balão de oxigénio” para a hotelaria. A diminuição do número de visitantes andaluzes, enfatiza, “ foi a resposta à introdução de portagens na Via do Infante”. Nesta altura, diz o dirigente hoteleiro, fazem-se campanhas de promoção com preços de saldo: “Em Albufeira, alugam-se apartamentos T1, por dez euros/dia – basta consultar a Internet”, acrescenta.
Em Vilamoura, o Hotel Tivoli Marina, regista uma ocupação de 40 por cento, quando em anos anteriores chegava aos 60 e 70 por cento. “As pessoas estão a cortaram nas mini-férias para virem em Agosto”, diz o director-geral Jorge Beldade, reconhecendo a “quebra do poder de compra”, mesmo nas unidades de cinco estrelas. Durante o fim-de-semana, os restaurantes e bares em volta da marina, muitos nem chegaram a abrir, apesar de haver milhares de centenas e centenas a passear pela zona. O investimento de 250 mil euros que a Câmara fez no Carnaval de Loulé foi justificado como “uma forma de dinamizar a economia local”. O presidente do município, Seruca Emídio, do PSD, propôs na Comunidade Intermunicipal do Algarve – Amal – que as autarquias não acatassem a decisão do Governo de não dar tolerância de ponto. Do conjunto dos 16 municípios, apenas cinco não encerram todo o dia.

