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Empréstimo camarário em causa

Carmona Rodrigues considera eventual demissão de António Costa “afronta gravíssima” aos lisboetas

29.11.2007 - 12:42 Por Lusa

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O ex-presidente da Câmara de Lisboa (CML) Carmona Rodrigues considerou hoje uma “afronta aos lisboetas” a possibilidade de António Costa se demitir caso o PSD inviabilize o empréstimo de 500 milhões de euros que a CML pretende contrair.
Carmona Rodrigues discorda do montante do empréstimo Carmona Rodrigues discorda do montante do empréstimo (Daniel Rocha/PÚBLICO (arquivo))

“Estou muito preocupado e admirado com a situação criada nos últimos dias, porque me parece que estão a brincar às câmaras”, disse Carmona Rodrigues à agência Lusa, sublinhando que num executivo “com quatro meses não se esperava que fossem criados factores de instabilidade desta ordem”.

Para Carmona Rodrigues, a possibilidade de o PSD inviabilizar o empréstimo de 500 milhões de euros que a autarquia de Lisboa pretende contrair – e sem os quais é, segundo o presidente António Costa, “impossível gerir” a câmara – não passa de “um braço-de-ferro com o PS”.

“O mais grave é que tratando-se de um braço-de-ferro entre o PSD e o PS acaba por ser uma afronta aos lisboetas e um factor de instabilidade para os munícipes da capital”, frisou.

Valor considerado excessivo

Embora discorde do montante total do empréstimo, considerando-o mesmo “excessivo” – razão pela qual se absteve da sua votação na sessão de Câmara –, Carmona Rodrigues disse entender que a primeira “tranche” de 360 milhões de euros “contemple alguma prudência”, embora sublinhe que a segunda “tranche” de 140 milhões de euros “não é de todo essencial”.

Carmona Rodrigues considera, contudo, o empréstimo financeiro “um instrumento de gestão fundamental” para a autarquia de Lisboa, motivo pelo qual não o inviabilizou.

O ex-autarca sublinha que a dívida da Câmara de Lisboa se acumulava desde 2001, agravando-se depois em 2002 quando o Governo impediu o endividamento das autarquias locais.

Sublinhou ainda que a postura do PSD de vir a inviabilizar o empréstimo assume contornos “ainda mais graves” numa altura em que o PS e o PSD se preparam para viabilizar uma lei autárquica que é “mais gravosa” para os municípios do que a que está em vigor.

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