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2010

Capital da Cultura: Ganho o país, Guimarães quer agora ser uma cidade europeia

24.01.2010 - 08:00 Por Samuel Silva

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Prosseguindo um trabalho sistemático, e valorizado pela Unesco, na reabilitação urbana, Guimarães quer criar condições para atrair artistas, designers e criadores de toda a Europa, o espaço no qual pretende até 2020 ser reconhecida.

Anda um ano nas bocas dos vimaranenses: 2020. E isso pode parecer estranho quando é em 2012 que Guimarães será Capital Europeia da Cultura. Mas é precisamente por causa do evento que todos os discursos apontam para o fim da década. "A Guimarães 2012 não faz sentido se ficar encapsulada nesse ano. Terá que ser um impulso para o futuro", sustenta a professora de arquitectura da Universidade do Minho (UM) Maria Manuel Oliveira.

A arquitecta resume uma afirmação usual entre a população. Mas o discurso político também vai mais à frente do que a CEC. "2012 será um marco, mas queremos deixar algo que fique para o futuro, como a regeneração urbana", assume o presidente da câmara António Magalhães. Durante mais de 20 anos, Guimarães trabalhou para ser reconhecida a nível nacional. Agarrou-se à história e ao património para contornar os problemas estruturais de uma região marcada pela agonia das indústrias tradicionais. Hoje é uma das cidades mais reconhecidas entre os portugueses, particularmente desde da classificação do centro histórico como Património Mundial.

A afirmação internacional é o próximo passo e Guimarães quer ser "um exemplo de desenvolvimento para as pequenas e médias cidades europeias", realçou a presidente da Fundação Cidade de Guimarães na apresentação do Plano Estratégico da CEC, Cristina Azevedo. As indústrias tradicionais vão dar lugar às indústrias criativas e o objectivo é atrair uma nova geração de artistas de toda a Europa para viver na cidade. Daí a aposta na reabilitação do património e do espaço público. "O ambiente urbano e a cidade também são cultura. A regeneração urbana é um investimento que induz um estar cultural na população", define Maria Manuel Oliveira.

Continuar o trabalho de reabilitação acabou por ser "uma sequência lógica", entende António Magalhães. "O centro histórico foi um dos argumentos fortes que levou a apostar em Guimarães para este evento e queremos dar-lhe continuidade", sublinha o autarca.

O bairro dos criativos

Se 2020 anda nas bocas do mundo, a responsabilidade pode muito bem ser de Robert Scott, o presidente do júri da Comissão Europeia que escolheu Guimarães e Maribor (Eslovénia) como capitais da cultura em 2012. Quando visitou a cidade portuguesa pela primeira vez, no Verão de 2008, afirmou que o sucesso da CEC se mediria quando "em 2020 as pessoas perceberem que 2012 mudou a cidade".

Texto originalmente publicado no suplemento Cidades de 17/01/2010

Scott ficou bem impressionado com Guimarães, mas houve um projecto que o entusiasmou em particular: A revolução em curso na chamada zona de Couros. Este antigo bairro industrial, que foi um dos centros da indústria de curtumes em Portugal vai dar lugar a um pólo de ciência e tecnologia. "É um projecto imaginativo e complexo que revela um trabalho em ligação com a universidade que é pouco comum", destacou, então, aquele responsável.

O projecto é fruto de uma parceria entre a câmara e a Universidade do Minho, que o baptizaram como CampUrbis. E é o grande investimento em infra-estruturas promovido no âmbito da Guimarães 2012. Desde que a indústria dos couros faliu, o bairro estava deserto. Degradado e sem vida, era o completo aposto da área classificada pela Unesco. "Era um sarcófago", ilustra o presidente da câmara, António Magalhães. Agora será a nova jóia da cidade. "Dentro de cinco a dez anos será um espaço excepcional e verdadeiramente complementar do centro histórico", antecipa.

O CampUrbis vai estender-se por uma área de dez hectares, recuperando as velhas fábricas de curtumes. Na Primavera está pronto o primeiro equipamento, o Centro de Ciência Viva, mas o grande centro da zona de Couros passará a ser o Instituto de Design da Universidade do Minho. O velho bairro industrial vai também transformar-se num campus universitário em pleno coração da cidade.

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