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Município tinha afastado a construção de um parque no subsolo em Dezembro

Câmara do Porto já aceita estacionamento no Bolhão

26.11.2009 - 10:14 Por Patrícia Carvalho

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O programa prevê espaço para noventa carros e área de cargas e descargas no subsolo do mercado O programa prevê espaço para noventa carros e área de cargas e descargas no subsolo do mercado (Fernando Veludo)
A Câmara do Porto mudou de ideias e já aceita a possibilidade de instalar um parque subterrâneo público no Mercado do Bolhão. A proposta faz parte do programa-base de arquitectura para a reabilitação do mercado, que a Direcção de Serviço dos Bens Culturais da Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN) elaborou a pedido da autarquia. A DRCN foi informada, por ofício datado de 5 de Novembro, que a câmara dera "parecer favorável" ao documento.

Quando, em Dezembro do ano passado, Rui Rio apresentou a solução encontrada para reabilitar o Bolhão, assente numa parceria entre a autarquia e o Ministério da Cultura, e depois do falhanço da colaboração com a TramCroNe (TCN), o presidente da câmara explicou que o mercado sofreria uma intervenção "minimalista". Seria totalmente recuperado e adaptado às exigências de higiene, conforto e segurança dos dias de hoje, mas sem grandes alterações. Um dos exemplos apresentados pelo autarca para manter o processo o mais simples possível era a ausência de um parque de estacionamento subterrâneo.

Um mês depois, o então vereador do Urbanismo, Lino Ferreira, confirmava que a possibilidade de o novo Bolhão vir a ter um parque de estacionamento fora "completamente abandonada". Bem servida de transportes públicos, a área poderia beneficiar do parque de estacionamento a ser construído do outro lado da Rua de Sá da Bandeira, no quarteirão da Casa Forte, através de uma ligação subterrânea entre os dois espaços. Contudo, a complexidade técnica do processo ainda não permite definir esta solução como certa.

Nada de grave, explica ao PÚBLICO, em resposta escrita, o arquitecto João Carlos dos Santos, coordenador do Sector de Obras de Conservação e Restauro da Direcção de Serviços dos Bens Culturais da DRCN: "A possibilidade de ser feita uma ligação subterrânea entre o mercado e o parque de estacionamento previsto para o quarteirão da Casa Forte continua a ser equacionada. Contudo, o programa-base de arquitectura prevê um estacionamento público em cave para cerca de 90 viaturas, bem como áreas para cargas e descargas e recolha de resíduos".

Prazos ultrapassados

O espaço subterrâneo será conseguido através da abertura de duas caves na zona central do Bolhão, ficando uma reservada ao estacionamento e a outra aos "serviços essenciais ao funcionamento do mercado (cargas e descargas, recolha de resíduos, áreas técnicas, etc.)", explica a mesma fonte. O PÚBLICO tentou, por várias vezes ao longo das últimas semanas, ouvir a Câmara do Porto sobre o processo do Mercado do Bolhão, mas sem sucesso.

Em Janeiro deste ano, os prazos apontados para o desenvolvimento do projecto do Mercado do Bolhão indicavam que as obras poderiam começar em 2010. Hoje, não é possível afirmar se esse objectivo será cumprido, uma vez que todas as previsões temporais apontadas na altura foram, entretanto, ultrapassadas. A 23 de Janeiro, durante a apresentação do programa preliminar do mercado (condicionante essencial para a concepção do projecto), Lino Ferreira apontava os prazos expectáveis: 30 dias para desenhar o projecto-base, 60 dias para se elaborar os estudos prévios e 120 dias para concluir o projecto de execução. Onze meses depois, os serviços da DRCN estão, ainda, a começar a fase de estudos prévios.

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