A Câmara de Setúbal solicitou ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil uma peritagem à zona do mercado do Livramento, onde a derrocada de uma parede provocou a morte de cinco pessoas.
Segundo uma fonte da autarquia, o pedido ao LNEC, efectuado ao final do dia de terça-feira, visa obter todas as garantias sobre as condições de segurança do edifício, onde trabalham algumas centenas de comerciantes e por onde passam todos os dias milhares de pessoas.
A presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, afirmou hoje que tanto o empreiteiro como a autarquia cumpriram todos os procedimentos nas obras do mercado do Livramento. “A ACT [Autoridade para as Condições do Trabalho] esteve ontem aqui no terreno e verificou que, do ponto de vista da legalidade dos procedimentos todos, o empreiteiro e a câmara municipal agiram em conformidade e, portanto, em relação a isso, temos todo o processo feito com a ACT”, disse a autarca.
Maria da Dores Meira realçou que até agora as entidades que estiveram no local não encontraram uma explicação para o sucedido. “A empresa não encontra explicação, estamos com a companhia de seguros no terreno desde ontem e não encontram explicação. Está também aqui a PJ e também ninguém encontra, aparentemente, uma justificação válida que diga que a explicação é isto e, portanto, nesse sentido pedimos a intervenção do LNEC”, afirmou.
Na conferência de imprensa organizada ao início da noite de terça-feira, Maria das Dores Meiratinha anunciado que o mercado do Livramento iria estar encerrado pelo menos durante o dia de hoje. A autarca setubalense não excluiu a hipótese de o mercado permanecer encerrado por mais algum tempo devido aos trabalhos de escoramento das paredes laterais do edifício e às peritagens necessárias para verificar a segurança do mesmo.
Caso o encerramento do mercado se prolongue por mais algum tempo, a autarquia poderá vir a ter de equacionar soluções alternativas para a actividade das centenas de comerciantes do mercado do Livramento.
A parte sul do mercado está agora apenas protegida por uma tela que tapava os azulejos que seriam alvo de restauro, por isso a PSP assegura as condições de segurança do edifício e bens existentes.
No encontro com a imprensa, Maria das Dores Meira anunciou ainda que esta quarta-feira, em reunião pública do executivo, “será votado um dia de luto em memória destas cinco vítimas”.
A presidente da autarquia explicou que na altura do acidente estariam no local mais de duas dezenas de trabalhadores, que “procediam a trabalhos de carpintaria de tosco e de armação de ferro para as fundações das paredes de ampliação do mercado.” A autarca assegura que todas as precauções de segurança estavam a ser tomadas e que “a obra era acompanhada por uma empresa de fiscalização e por técnicos municipais”.
Embora tenha sido inicialmente anunciada a presença dos responsáveis pela obra na conferência de imprensa que se realizou ao fim do dia de terça-feira, nenhum representante do empreiteiro esteve disponível para responder aos jornalistas.
O mercado do Livramento foi alvo de obras de recuperação durante aproximadamente um ano, tendo reaberto em Outubro do ano passado. As obras que estão a decorrer actualmente são de ampliação e construção de um novo edifício, onde vai ficar instalada a parte técnica do mercado.
Notícia alterada às 12h56: Acrescentadas declarações da presidente da câmara proferidas hoje


