• Um arco-íris de carnavais brasileiros
  • Explorar Berlim sem agenda
  • A nova padaria francesa da baixa lisboeta

Assembleia municipal pediu a revisão do projecto

Câmara de Lisboa vai pagar apoio em falta à igreja de Troufa Real

04.01.2010 - 10:09 Por José António Cerejo

  • Votar 
  •  | 
  •  8 votos 
Orçamento gerido por António Costa vai pagar promessa de Soares Orçamento gerido por António Costa vai pagar promessa de Soares (Nuno Ferreira Santos)
A Câmara de Lisboa reconhece que deve cerca de 205 mil euros à paróquia do Restelo, a título de apoio à construção da polémica igreja projectada pelo arquitecto Troufa Real. O pároco António Colimão aludiu algumas vezes a essa dívida, nos últimos dois meses, mas a autarquia nunca a havia confirmado. Pelo contrário, o vice-presidente, Manuel Salgado, declarou mesmo que desconhecia qualquer documento que comprometesse o município com o financiamento daquela obra, que arrancou há menos de dois meses.

Agora, o gabinete do presidente da Câmara de Lisboa, através de uma assessora, reconheceu a existência dessa dívida naquela ordem de valores. "A câmara efectuou um pagamento de cerca de 29.250 euros (5850 contos) em 27 de Dezembro de 2001" e faltam pagar três tranches num total de 40.950 contos, o que equivale a perto de 205 mil euros, disse a assessora de imprensa de António Costa, na semana passada, ao PÚBLICO.

De acordo com a mesma fonte, "o vereador Manuel Salgado vai agora calendarizar esses pagamentos", que poderão obrigar a câmara a fazer uma alteração ao orçamento de 2009 (em vigor em regime de duodécimos até à aprovação do de 2010), ou incluí-los no orçamento para 2010, que está em elaboração.

Nos mandatos de Santana Lopes e Carmona Rodrigues a paróquia pediu o pagamento das verbas devidas, mas a resposta foi sempre a de que não havia disponibilidade financeira.

Já neste mandato os responsáveis pela autarquia afirmaram diversas vezes desconhecer os dois protocolos sobre este assunto. Na sequência das perguntas e pesquisas feitas pelo PÚBLICO os dois documentos acabaram por aparecer, reconhecendo agora a câmara a existência da dívida.

Paróquia sem meios

O apoio do erário público à igreja foi aprovado por unanimidade em 5 de Dezembro de 2001, a 11 dias das eleições ganhas por Santana Lopes a João Soares. O documento então submetido à deliberação do executivo de João Soares previa "um subsídio até 46.800 contos" à Fábrica da Igreja Paroquial de São Francisco Xavier porque esta "não dispõe de meios suficientes" para "financiar os custos dos projectos de arquitectura, e das especialidades e da assistência técnica à obra".

O texto aprovado nessa altura acrescentava que "a assunção deste encargo por parte do município constitui condição para a contratação do gabinete de arquitectura, que encarregou de realizar os referidos projectos e tarefas". A frase, tal qual está escrita, indica que seria a câmara a contratar o gabinete, que já teria sido encarregue de fazer os projectos. Na realidade, os projectos já estavam em grande parte concluídos pelo gabinete de Troufa Real e tinham dado entrada nos serviços da autarquia em Agosto desse ano, juntamente com o pedido de licenciamento da obra.

Projecto tinha sido doado

Troufa Real, um arquitecto amigo de João Soares, tinha aliás começado a trabalhar na concepção da igreja-caravela, com uma torre em forma de minarete de 100 metros de altura, no início de 1997, seis meses antes de o então presidente da câmara ter assinado com a paróquia um primeiro protocolo. Que, tanto quanto foi possível apurar, nunca foi aprovado em sessão de câmara.

Nesse primeiro protocolo, o município "associando-se às aspirações da comunidade católica da freguesia de São Francisco Xavier", prometia à Fábrica Paroquial "o projecto de arquitectura que o professor arquitecto José Troufa Real graciosamente colocou à disposição da autarquia, bem como todo o acompanhamento na execução da obra".

Quatro anos depois, a deliberação de Dezembro de 2001 aprovou o texto do segundo protocolo a celebrar entre o município e a paróquia, no qual se estabelecia a atribuição do tal subsídio de 46.800 contos "para suportar os custos da realização dos projectos e acompanhamento da obra". A primeira prestação seria de 5850 contos e acabaria por ser a única a ser paga, tal como previsto, logo após a aprovação do protocolo "em reunião de câmara". As seguintes, de 17.550, 11.700 e mais 11.700 contos, seriam entregues "no momento da entrega comprovada à Fábrica Paroquial da totalidade dos projectos de arquitectura e especialidades"; no momento da entrega dos "projectos de execução"; e no início dos trabalhos de execução da obra", respectivamente. As obras começaram em Novembro de 2009.

Debate público

Estatísticas

  • 2136 leitores
  • 62 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1416175

Comentário + votado

A Câmara de Lisboa

Ainda agora fui visitar aquele que é considerado um dos castelos mais espectaculares do nosso ...

Pois

04.01.2010 12:15

X

Mais em Local (3 de 14 artigos)

Depois do polvo, ontem um golfinho morto apareceu na praia da Granja Virose pode estar na origem do arrojamento de polvos na costa de Vila Nova de Gaia