A Câmara de Gaia opõe-se ao traçado da rede de alta velocidade que está previsto para o concelho. Se os interesses da autarquia não forem salvaguardados a câmara admite recorrer aos tribunais.
"Não se trata de uma obstrução ou guerra ao TGV, mas da defesa dos interesses de Gaia. Temos que reagir para evitar a política do facto consumado", afirmou o vice-presidente da Câmara de Gaia, Marco Costa.
As críticas dirigem-se à concepção e execução no terreno da rede de alta velocidade.
"Discordamos, não pela localização, mas pela filosofia inerente, que ignora que a Câmara de Gaia, o Metro do Porto, as Estradas de Portugal e a Parque Expo estão a desenvolver o Interface de Laborim, que o primeiro-ministro considerou prioritário", salientou o vice-presidente da autarquia.
Segundo Marco António Costa, "este interface ficará localizado no corredor do TGV, pelo que faz sentido ser ali a estação sul do Grande Porto, permitindo uma ligação com o metro e com os transportes rodoviários de passageiros", e não a opção da Campanhã.
Por outro lado a câmara questiona porque é que não está contemplada a construção de uma nova ponte ferroviária para o TGV. "Custaria apenas uma pequena fracção do investimento global no projecto do TGV", defende a câmara.
Para a autarquia, o traçado proposto para atravessar o município traz outros problemas. “Não respeita os interesses do concelho em termos urbanísticos, ambientais e estratégicos”, explica Costa. A câmara defende que a solução passa pelo aumento do túnel dois ou três quilómetros que “faz toda a diferença na qualidade de vida e na coesão do concelho".
O concelho de Gaia vai ser actualmente "dividido" por várias estradas (IC1, A1 e A29), para o autarca a situação seria agravada pelo TGV. "Não queremos mais uma barreira a dividir o concelho", afirmou, defendendo que "A RAVE [Rede de Alta Velocidade] tem que olhar para o território de Gaia, não como uma zona rural, mas como o terceiro maior município do país”.
"A Direcção Municipal de Assuntos Jurídicos vai preparar meios de acção judiciais para o caso de entendermos que não estão a ser respeitados os interesses do concelho", afirmou o autarca, frisando que a câmara admite defender os seus interesses nos tribunais.


