O presidente da Câmara de Almeirim reconheceu hoje que a estação de tratamento de águas residuais (Etar) que serve este concelho e o de Alpiarça, inaugurada há quatro anos, funciona de forma "deficiente".
A Etar deita na vala de Alpiarça efluentes sem o tratamento desejável, admitiu o autarca. Para José Sousa Gomes (PS), a mortandade de peixes que ocasionalmente se regista "nunca esteve relacionada com a vala", devendo-se antes a "momentos específicos dos trabalhos agrícolas, nomeadamente de lavagem de adegas com produtos químicos".
Sousa Gomes disse que o excesso de caudais - que atribui a ligações clandestinas de condutas e, sobretudo, de esgotos pluviais devido a uma impermeabilização crescente do solo (por cimentação ou alcatroamento) - leva a que seja insuficiente o tempo que os efluentes levam a maturar nas lagoas de decantação da Etar.
O autarca rejeita que a Etar intermunicipal Almeirim/Alpiarça esteja à beira da saturação, como hoje noticia o semanário regional "O Mirante", afirmando que está "como sempre esteve", com "alguns problemas semelhantes aos de outros sistemas" noutros concelhos.
Contudo, admitiu, apesar de alegadamente ter sido projectada para uma população de cem mil habitantes (mais do dobro da residente nos dois concelho), o caudal que entra no sistema é "excessivo", numa situação que disse ser difícil de controlar e fiscalizar, devido à existência de milhares de ramais.
Assegurando que nas novas urbanizações a situação tem sido acautelada, Sousa Gomes disse que seria uma tarefa "ciclópica" e "para durar anos" detectar todas as ligações clandestinas, pelo que os dois municípios servidos por esta Etar pediram um estudo ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) para detectar as deficiências do sistema e apontar soluções. O diagnóstico do LNEC deverá estar concluído num prazo de três meses.
A Etar Almeirim/Alpiarça, inaugurada em Novembro de 2000, funciona em "sistema natural", sem recurso a máquinas, sendo composta por várias lagoas por onde os efluentes vão passando de forma a permitir a oxigenação da água e a acumulação das lamas no fundo.


