A Câmara de Santa Maria da Feira quer que sejam tomadas medidas que salvaguardem determinadas condicionantes que afectam o seu território caso a declaração de impacte ambiental seja favorável ao traçado A para a passagem do comboio de alta velocidade.
Nesse sentido, a autarquia recomenda que a execução do traçado na zona prevista para a expansão do Europarque seja feita em túnel, de forma a não colidir com os planos traçados pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) para o crescimento dessa área. No documento enviado para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), no âmbito do processo de consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental do projecto de ligação ferroviária de alta velocidade, sublinha-se que a alternativa A "conflitua de forma aguda com uma proposta existente de desenvolvimento estratégico perspectivada" para o Europarque.
"O traçado A vai impedir o desenvolvimento do projecto de expansão do Europarque se não forem acauteladas algumas situações e, nesse sentido, sugerimos a execução do traçado em túnel", adianta o vereador do Planeamento e Urbanismo, José Manuel Oliveira. A proposta da AEP foi anexa à posição endereçada à APA. "A câmara recebeu uma participação da AEP que pede que não seja escolhido o traçado A, mas se for que esse trajecto fique o mais encostado possível à A29 e seja feito em vala", revela o responsável.
Não é só o projecto do Europarque que está em causa com o traçado A. A demolição do centro de dia e ATL do Movimento de Assistência, Cultura, Urbanismo e Recreio de Rio Meão também preocupa a câmara, que sugere que "seja adoptada a figura de túnel na maior extensão possível". Num estudo encomendado, verifica-se que cerca de 50 construções já existentes ou em fase de licenciamento serão afectadas se a escolha recair na solução A, em detrimento da B, que não afecta o município feirense.
José Manuel Oliveira lembra ainda que, numa urbanização, em São Paio de Oleiros, o TGV passará "a 40 metros de altura em relação à estrada existente, o que provocará uma série de constrangimentos, em termos de afectação dos terrenos". Por outro lado, e se não for acautelada a solução em túnel, o TGV passará mesmo à porta de uma empresa de cortiça de Rio Meão "que emprega centenas de trabalhadores".
A câmara pretende que "todas as ruas cortadas sejam restabelecidas". Uma situação que "não é esclarecida no estudo que nos foi apresentado". "Há uma série de situações que não foram estudadas. Pretendemos alertar a APA para essa falta de análise e para os constrangimentos que o traçado A vai provocar no nosso território", refere o vereador. Para a APA seguiu a posição camarária, aprovada na última reunião do executivo.
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