O cadáver do tripulante francês alegadamente assassinado ao largo da costa oeste do Algarve foi resgatado esta manhã do veleiro "Intermezzo" e confirma-se que estava amarrado, revelou uma fonte da Marinha.
"O cadáver estava bastante amarrado", disse o comandante Reis Águas, da Zona Marítima do Sul, sem adiantar mais pormenores do interior de um dos três cascos do "trimarã" em que estava o corpo do tripulante.
As autoridades detiveram quinta-feira um homem e uma mulher, de 48 e 51 anos, respectivamente, que viajavam no "Intermezzo", por suspeita de homicídio.
Quando foram detidos, os dois suspeitos confessaram que ataram os membros do tripulante, com cerca de 60 anos, porque alegadamente ele tentara violar a mulher.
Os dois suspeitos foram detidos pela Polícia Judiciária ainda quinta-feira, em Lisboa, depois de terem tido alta do Hospital Curry Cabral, e foram presentes ontem no tribunal de Lagos, que ordenou a sua prisão preventiva sob acusação de homicídio.
Hoje, a operação de entrada no barco e a retirada do corpo, que decorreu a uma milha marítima ao largo de Portimão, durou cerca de 20 minutos e foi muito facilitada pelo estado do mar, sem ondulação, acrescentou Reis Águas.
O corpo será agora transportado para a morgue do Hospital do Barlavento Algarvio para autópsia, disse a fonte, acrescentando que toda a operação de resgate foi acompanhada por inspectores da Polícia Judiciária.
As análises forenses prosseguirão durante o fim-de-semana e segunda-feira, o "Intermezzo" será de novo posto a navegar, para permitir a prossecução das investigações a bordo.
O barco ainda está a ser rebocado, com o acompanhamento da corveta Jacinto Cândido, para o cais da Marinha em Portimão, onde ficará salvaguardado de eventuais olhares curiosos, disse Reis Águas.
Ontem à noite, depois de ter sido decretada a prisão preventiva, os dois suspeitos abandonaram o tribunal de Lagos a gritar pedidos de ajuda e afirmando-se inocentes.
Os dois franceses deixaram as instalações do tribunal de Lagos cerca das 21h15 horas, debaixo de um forte dispositivo policial, afirmando que o naufrágio do trimarã "Intermezzo" foi um acidente.
Pediram ainda ajuda aos jornalistas para falar com o consulado francês e acusaram as autoridades portuguesas de quererem transformá-los em culpados.
A saída dos dois indivíduos esteve envolta em alguma confusão, com a polícia a ser obrigada a usar de força para obrigar os suspeitos a entrar na viatura que os conduziu ao estabelecimento prisional de Portimão, onde irão aguardar julgamento.
O homem e a mulher foram resgatados na manhã de quinta-feira, após o naufrágio do trimarã "Intermezzo", e transportados num helicóptero da Força Aérea para o Hospital Curry Cabral, em Lisboa.
Desconhece-se ainda qual a relação entre o tripulante e os dois suspeitos, bem como a natureza da sua passagem por águas portuguesas, sabendo-se apenas que tinham saído de um porto português.


