BE invoca desaparecimento do provedor dos cidadãos para romper com José Sá Fernandes

25.11.2008 - 22:35 Por Ana Henriques
O Bloco de Esquerda prepara-se para retirar esta noite o seu apoio ao vereador da Câmara de Lisboa José Sá Fernandes, invocando o incumprimento do programa eleitoral por parte do autarca e o seu “alinhamento constante com o presidente da câmara”, o socialista António Costa, que terá “esvaziado a representação” desta força política na maior autarquia do país.
“A generalidade das principais propostas do programa eleitoral 'Lisboa é Gente’ não foi levada à reunião de câmara pelo vereador”, acusa Luís Fazenda, numa proposta de resolução que vai ser votada pelos militantes de Lisboa numa assembleia geral no hotel Mundial.
“Constata-se, pelo contrário, o afastamento político do vereador e uma mudança de atitude em relação ao programa que foi submetido ao voto dos lisboetas”, refere ainda. Para Luís Fazenda, Sá Fernandes abandonou a sua imagem de marca de provedor dos cidadãos para passar a resignar-se perante coisas como a terceira travessia do Tejo ou o alargamento do terminal de contentores de Alcântara, no qual vê “mais um atentado contra a frente ribeirinha”.
Embora reconheça algum mérito ao vereador dos Espaços Verdes neste primeiro ano de mandato, nomeadamente no que ao seu pelouro respeita, a concelhia do BE acha que isso não chega. É certo que houve “uma mudança no estado de desleixo que a cidade vivia em matéria de espaços verdes”, mas grande parte do acordo que os bloquistas fizeram com os socialistas para governar a autarquia em conjunto “carece de cumprimento”.
Os dirigentes do BE mostram-se especialmente preocupados com o repovoamento da cidade: “Incapaz de atrair novos habitantes, Lisboa permanece envelhecida, degradada e despovoada, com 4699 prédios vazios, entregues à especulação imobiliária”. A inclusão de uma quota de 25 por cento de habitação a custos controlados nos novos empreendimentos imobiliários é uma reivindicação do Bloco que ainda não viu a luz do dia: “Encontra-se dependente do processo de revisão do PDM e encerrada no silêncio que o envolve”.
Acima de tudo, os bloquistas acusam Sá Fernandes, que não é seu militante e tem o estatuto de vereador independente eleito por esta força política, de não se ter batido por estas e outras bandeiras do partido, como a aposta nos transportes públicos de Lisboa ou a reestruturação das empresas municipais.
O BE admite mesmo que algumas das medidas que integram o acordo firmado com o PS, nomeadamente “os que cortam com os interesses imobiliários que têm marcado a cidade”, já não sejam sequer exequíveis neste mandato.“Por respeito aos eleitores de Lisboa, a concelhia do BE deve anunciar que o entendimento com José Sá Fernandes está terminado”, conclui a resolução.
O vereador reagiu dizendo que a avaliação do BE “contém demasiados erros, muitas omissões, várias deturpações e ilações injustas”. E garante que continuará a “trabalhar com afinco”.

