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Após apoio às operaçõpes às cataratas em Cuba

Autarquia de Vila Real de Santo António oferece tratamento dentário à população necessitada

23.10.2009 - 10:14 Por Idálio Revez

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Serviço Nacional de Saúde não consegue dar resposta às necessidades da população Serviço Nacional de Saúde não consegue dar resposta às necessidades da população (Vasco Célio)
Pela segunda vez na vida, Custódio Ferreira, 39 anos, sentou-se ontem na cadeira do dentista. A boca, ao sorrir, mostra uma cratera. Não foi o receio das brocas que o afastou dos tratamentos, mas a falta de dinheiro. "Arrancaram quatro ou cinco dentes, não sei bem, mas não me doeu nada", desabafou à saída da clínica. Montou-se numa pedaleira e seguiu caminho em direcção ao mar, à procura de conquilha.

As seis clínicas do concelho de Vila Real de Santo António aceitaram o protocolo lançado pelo município para "democratizar" o acesso à medicina dentária. A iniciativa segue-se ao envio para Cuba de doentes para serem operados às cataratas, alegando que se encontravam à beira da cegueira e o Serviço Nacional de Saúde não tinha resposta.

Custódio Ferreira só há dois anos contactou com o dentista. Um dente cariado foi posto de raiz ao sol. Agora, aproveitou a ajuda municipal para "limpar" os outros que não lhe permitem comer pão com côdea. O pescador pretende apresentar-se de sorriso aberto quando nascer a segunda filha. "Está para breve", anuncia.

Prioridade à saúde

O presidente do município, Luís Gomes, tenciona, à semelhança do que aconteceu com as cataratas, pressionar para o reconhecimento da importância do acesso à medicina dentária: "Mais do que fazer rotundas e outro tipo de obras, vamos dar prioridade a tratar das pessoas."

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, deslocou-se ao Algarve, para sublinhar o "exemplo" da autarquia, na expectativa de que outras câmaras adiram ao projecto, complementando o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral - o chamado cheque-dentista, lançado este ano pelo Governo, mas que só cobre uma faixa muito reduzida da população.

Segundo a autarquia, até final do ano, está disponível uma verba de 300 mil euros para tratar os dentes aos munícipes, mas está previsto que o programa se prolongue nos próximos anos. Porém, o autarca avisou que "o orçamento não é inesgotável". Só têm direito a tratamento gratuito as pessoas de menores recursos - aquelas em que, no agregado familiar, o rendimento seja inferior a metade do ordenado mínimo nacional.

Nos outros casos, a comparticipação varia entre os 50 e os 75 por cento, depois de uma avaliação às condições económicas, efectuada pelos serviços sociais. No primeiro mês surgiram cerca de mil pedidos, mas só metade é que irá ter direito a tratamento gratuito. É o caso de Custódio Ferreira, pescador que vive com os pais, reformados.

Luís Fonseca, 18 anos, estudante, sem dois dentes incisivos, também foi seleccionado para a primeira consulta municipal. "Espero sair daqui com um sorriso mais bonito", confidenciou, na cadeira do dentista.

"As pessoas têm vergonha de sorrir", diz o autarca, adiantando que contratou um médico dentista para fazer o rastreio à higiene da saúde oral dos necessitados. Em relação aos preços na medicina dentária conta que baixem, à semelhança do que sucedeu nas operações às cataratas, que passaram de dois mil para 700 euros por intervenção.

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Humanismo

Excelente atitude,é de louvar.Bravo a esta decisao.

arsenio

23.10.2009 21:19

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