Autarca de Albufeira teme que onda de assaltos que matou inglês afecte o turismo

30.05.2011 - 18:16 Por Idálio Revez
"Que mais posso eu fazer?”, perguntou o presidente da Câmara de Albufeira, Desidério Silva, em reacção à morte do cidadão britânico, falecido na sequência de um assalto quando regressava ao hotel, depois de ter estado num bar. O autarca, quando tomou conhecimento do caso, fez “tudo o que estava ao meu alcance”.
Após ter informado o cônsul britânico no Algarve do sucedido, entrou em contacto com o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, “chamando a atenção para o clima de insegurança que se vive na região”. A resposta do governante deixou-o ainda mais inquieto: “Segundo as estatísticas, a criminalidade baixou”.
O autarca manifestou-se preocupado, porque as queixas apresentadas às autoridades, no seu entender, “não traduzem os casos relatados na rua”. Por isso, diz temer os efeitos desta morte, relatada hoje no Guardian, na economia da região. “O turismo é uma industrial muito sensível, e a segurança é fundamental”, sublinhou.
O cidadão, de 50 anos, Ian Haggah, de Newcastle, foi assaltado, por três jovens, na noite de 14 para 15, quando regressava à unidade hoteleira onde se encontrava hospedado, na zona do Montechoro. Na passada quarta-feira, em consequência das pancadas que lhe foram infligidas no crânio e na face, acabou por falecer, depois de ter estado internado nos Cuidados Intensivos do Hospital de Faro.
“Não é caso único, quase todos os dias há situações de criminalidade”, disse o autarca, sublinhando que está “saturado” com pedir ao Governo para que haja reforço policial. “Sei que o actual contexto [político] dificulta a situação, mas o meu único interlocutor é o ministro da Administração Interna, tenho feito tudo o que está ao meu alcance”, enfatizou.
Ian Haggah, segundo apurou PÚBLICO junto da GNR, na altura que foi assaltado, evidenciava sinais de excesso de consumo de álcool. Nessas circunstâncias, dizem as autoridades, os turistas são “presas fáceis” para os jovens assaltantes, geralmente actuando em grupos de três.
Nas esquinas das ruas ou escondidos atrás dos arbustos nas zonas dos empreendimentos turísticos, “atacam as vítimas na primeira oportunidade”. Situação semelhante tem ocorrido com frequência em Quarteira e Vilamoura. “O que está a acontecer a Albufeira pode alastrar ao resto do Algarve”, alertou Desidério Silva, reforçando o pedido de apoio policial.

