A Administração Regional de Saúde do Norte garantiu hoje que a urgência hospitalar de Chaves só será desclassificada quando o concelho tiver bons acessos.
"Quando Chaves tiver as suas acessibilidades garantidas, aí sim, as decisões terão de ser implementadas. Até lá, a urgência vai continuar a funcionar tal como está hoje", afirmou o presidente da ARS-N, Maciel Barbosa.
A A24, que vai ligar Viseu à fronteira com Espanha, em Vila Verde da Raia (Chaves), termina actualmente em Fortunho, alguns quilómetros a norte de Vila Real. Os últimos troços da auto-estrada, que quando estiver concluída terá 156 quilómetros, deverão ser inaugurados até ao final do ano.
Milhares de pessoas concentraram-se hoje em Chaves, em protesto contra a intenção do Ministério da Saúde de desclassificar a urgência do hospital local de médico-cirúrgica para básica. A manifestação juntou 121 instituições e associações de Chaves e ainda representantes de partidos políticos que "repudiam veementemente" a proposta da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências.
Referindo-se a este protesto, Maciel Barbosa disse ser "normal num Estado democrático" que os cidadãos expressem as suas opiniões. "Mas também devem reagir de forma amadurecida, na posse de toda a informação, e creio que isso não está a acontecer neste processo", comentou.
Numa declaração aos jornalistas na sede da ARS-N, no Porto, o responsável afirmou que a reorganização da rede de urgências "é uma peça de um plano mais vasto para prestar melhores cuidados de saúde às populações", que passa por melhor aproveitamento dos meios humanos e técnicos.
"Estamos a gastar muita disponibilidade horária para não atender quase ninguém", afirmou, numa referência à anunciada intenção de encerramento de alguns serviços de atendimento permanente.
Maciel Barbosa acrescentou que muitos serviços de urgência estão de portas abertas sem dar respostas de qualidade, limitando-se a reencaminhar os doentes para unidades de nível superior.
"Se levamos a pessoa a um serviço que não tem meios de diagnóstico e sem profissionais para dar resposta de qualidade, estamos a perder tempo no socorro", sublinhou, defendendo a opção por uma rede de urgência menos densa mas mais qualificada.


