ARS Norte propõe concentrar serviços e fechar hospitais na Área Metropolitana do Porto

25.07.2009 - 09:24 Por Andrea Cunha Freitas
É o quarto e último capítulo do estudo que quer apresentar propostas para a reformulação da rede hospitalar da Área Metropolitana do Porto (AMP). Desta vez, depois de identificados os desajustes entre as necessidades e a oferta existente, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte avança com propostas para tratar da saúde da AMP a longo prazo (para cumprir até 2020).
Defende-se um reforço dos hospitais de dia e do ambulatório, mas também há um novo mapa de concentração de especialidades e transformações no Hospital de Pedro Hispano, no Joaquim Urbano (HJU), em Valongo, Oliveira de Azeméis e São João da Madeira. Há serviços que fecham e novos hospitais que se anunciam.
"Estas medidas não são decisões, são apenas cenários", diz e repete Fernando Araújo, vice-presidente da ARS, sublinhando: "Não vamos fechar serviços para o mês que vem." As propostas são, para já, apenas um plano aberto à discussão pública e cuja concretização vai depender do próximo Governo e da futura ARS do Norte. No programa a cumprir até 2020, aposta-se nos hospitais de dia (sobretudo nas valência de Psiquiatria, Quimioterapia, Hemodiálise), reforça-se a consulta externa, altera-se o rácio de salas de bloco operatório (das actuais três de cirurgia convencional para uma de ambulatório passamos, no futuro, para 1,5 para cada uma), investe-se nos cuidados paliativos e de convalescença e transformam-se as enfermarias em quartos duplos.
Se as recomendações da ARS se transformarem em realidade, daqui a uma década o Hospital Joaquim Urbano só fará tratamentos prolongados, transformando-se numa "unidade para doentes de longa duração", uma unidade de cuidados continuados exclusivamente dedicada a infecciosas. Neste cenário, o CHP poderá criar um serviço de pneumologia para doentes agudos, aproveitando os recursos do HJU.
Aliviar tensões
Para o futuro do hospital de Valongo há dois cenários possíveis tendo em conta a resposta deficiente que é dada à população: ou é reconvertido para uma unidade de ambulatório dependente do HSJ e a população de Valongo e Gondomar passa a ser referenciada para o São João (cenário A) ou constrói-se um novo hospital (cenário B). Assim, o mais provável é que a curto prazo se opte pelo cenário A e mais tarde, e quando for garantido o financiamento necessário, se passe ao cenário B. Uma solução que pode não agradar à população? "Talvez, quando perceberem que há uma boa resposta e que não esperam muito tempo pelas consultas no São João, isso alivie possíveis tensões", espera Fernando Araújo.
Por outro lado, a ARS quer aliviar outras tensões, sugerindo que a população da Maia passe a ser referenciada para o HSJ em vez do sobrecarregado Hospital Pedro Hispano. A ARS propõe ainda manter o Hospital de S. Sebastião (Feira) e criar uma nova unidade hospitalar próxima das populações de S. João da Madeira e Oliveira de Azeméis que substitua as actuais instalações. "Julgo que será melhor a sul da Feira e para o interior, entre Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis", arrisca.
Há também um novo mapa de concentrações de especialidades na AMP. Os transplantes, por exemplo, ficam sobretudo centrados no HSJ (renal, de medula óssea e cardíaco) e no Centro Hospitalar do Porto/Hospital Geral de Santo António (renal, hepático, pancreático) e também no IPO, que mantém os transplantes de medula óssea. Aponta-se para um cenário com dois serviços de cirurgia pediátrica especializados (CHP e HSJ) e unidades com competências mais gerais, mantendo-se a existente em Gaia/Espinho e criando-se uma no Tâmega.

