O presidente da Câmara de Lisboa exigiu ontem ao Governo explicações sobre a estratégia de policiamento de proximidade e a gestão da rede de esquadras, acusando o Ministério da Administração Interna de determinar o encerramento destas estruturas “consoante estão a cair ou não”, e não “em função dos problemas de segurança da cidade”.
António Costa falava no final de uma reunião com a governadora Civil de Lisboa, por si solicitada, com a justificação de que este “é o canal de comunicação normal entre os municípios e o Estado”. “Não é nada que não ocorra com outros presidentes de câmara”, confirmou por sua vez a governadora Dalila Araújo.
Questionado pelos jornalistas sobre o seu trabalho enquanto ministro da Administração Interna e sobre a existência de um conflito com Rui Pereira, o actual titular do cargo, António Costa disse que não iria fazer “comparações” e recusou “entrar nessa polémica”. “Incomodo quem incomodar. O meu primeiro dever é com os lisboetas”, concluiu o autarca.
Referindo-se ao encerramento recente da esquadra da PSP no Rego, António Costa afirmou que “a câmara não concorda que as esquadras encerrem ou não consoante estão a cair ou não”, e criticou o Governo por “apagar fogos” em vez de ter “uma visão de conjunto” para os problemas de segurança de Lisboa. “Temos zonas onde temos cinco ou seis esquadras praticamente sobrepostas e zonas com enormes vazios na presença policial”, constatou o autarca.
Na reunião com Dalila Araújo, António Costa reafirmou a sua disponibilidade para ceder instalações na Avenida Santos Dumont, junto à Praça de Espanha, para a instalação de uma nova esquadra, que substitua aquelas que foram encerradas no Rego e na Avenida João Crisóstomo. Mas a cedência, frisou, só irá avante se houver “garantias” de que será “uma esquadra que contribuirá para o policiamento efectivo da zona e não simplesmente mais umas instalações a serem ocupadas pela PSP”.
A este propósito, o autarca apelou ainda a que a esquadra da Alta de Lisboa seja, “com urgência”, “dotada de meios efectivos para o exercício de uma função policial eficiente”. Por fim, António Costa reiterou a necessidade de ser executada a resolução do Conselho de Ministros “que prevê a transferência de competências e meios da Divisão de Trânsito para a Polícia Municipal”, para que esta entidade possa “gerir de forma eficiente o trânsito em Lisboa”.
Olaias é caso de polícia
Questionado pelos jornalistas sobre os distúrbios de anteontem à noite no Bairro Portugal Novo, o presidente da Câmara de Lisboa disse que “assaltar casas ou dar tiros não é um problema urbanístico nem um problema social, é um crime”. “É um problema que transcende em absoluto o município”, sublinhou, referindo que “não compete à câmara substituir-se aos proprietários”.
A Governadora civil de Lisboa considerou que “a polícia foi muito rápida e fez a intervenção que havia a fazer” nas Olaias, acrescentando que “o ambiente social está calmo”. Dalila Araújo adiantou que está a desenvolver contactos para encontrar interlocutores no bairro, junto das comunidades cigana e africana.
Também ontem, o líder da bancada social-democrata na Assembleia Municipal de Lisboa enviou ao presidente da Câmara de Lisboa uma carta solicitando a “urgente” convocação do Conselho Municipal de Segurança. Para o justificar, Saldanha Serra invoca vários factos com “gravidade”, como “o encerramento de esquadras na cidade e o abandono de uma política de policiamento de proximidade”, “a ocorrência muito elevada de incêndios” e “a falta de agentes suficientes para a Polícia Municipal”.


