António Costa: "Nada justifica que a Baixa seja zona de atravessamento" de tráfego 
24.01.2009 - 13:07 Por Lusa
O presidente da Câmara de Lisboa considerou hoje que "nada justifica que a Baixa seja zona de atravessamento" de tráfego, mas esclareceu que a autarquia não tenciona impedir a circulação de veículos naquela zona da cidade.
António Costa reagia a um estudo encomendado pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP) que contraria a tese da autarquia com base no qual o ACP admite "impugnar" judicialmente uma eventual decisão da Câmara de Lisboa relativa ao corte de trânsito na Baixa, segundo disse à Lusa o presidente da associação.
"Neste momento estamos em audição pública, ouvimos todas as pessoas, incluindo até o senhor presidente do ACP, mas é nossa firme convicção que esta solução é a boa solução, é a solução que permite aceder à Baixa para quem vem à Baixa, mas não ir à Baixa quem a utiliza só para a atravessar", disse António Costa.
O presidente da autarquia de Lisboa chamou a atenção para o facto de a zona da Baixa ser "felizmente, hoje, a zona da cidade melhor coberta por parques de estacionamento e mais acessível do ponto de vista dos transportes públicos". "Nós temos duas estações de metro e temos, em toda a envolvente da Baixa, um conjunto de parques de estacionamento e nós próprios projectamos a construção de mais três parques de estacionamento nos acessos à Baixa", afirmou.
Para António Costa, "nada justifica que a Baixa seja zona de atravessamento", mas esclareceu que não é objectivo da Câmara "impedir a circulação na Baixa".
"O que aí fizermos é garantir a circulação na Baixa para quem vai à Baixa, para quem está na Baixa, mas não para quem quer atravessar a Baixa", reiterou o presidente, argumentando que "cerca de 70 por cento do tráfego que aí circula não se destina à Baixa, é meramente zona de passagem, pelo que a Baixa vale de mais para ser uma zona de passagem".
"Todos nós gostaríamos de viver numa zona onde houvesse os carros das pessoas que lá vivem, que lá trabalham, mas não gostariam de viver numa zona onde é devassada diariamente por milhareas de viaturas que se limitam a atravessar aquele caminho como se fosse um atalho. Ora, é esse trânsito que temos que deslocar dali", disse ainda.
Em declarações à Lusa, o presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) admitiu "impugnar" judicialmente uma eventual decisão da Câmara de Lisboa relativa ao corte de trânsito na Baixa, disse à Lusa o presidente da associação.
O presidente do ACP, Carlos Barbosa, classificou de "surrealista" o plano de mobilidade da autarquia, que prevê o corte do trânsito entre a Baixa e o Terreiro do Paço, actualmente em discussão pública.
O ACP encomendou um estudo ao professor de Urbanismo e Transportes do Instituto Superior Técnico Fernando Nunes da Silva, que concluiu que os cortes de trânsito previstos terão "consequências muito gravosas", sobrecarregando as áreas envolventes.
O plano da autarquia estabelece um corte na ligação da Baixa à frente ribeirinha para o tráfego automóvel, à excepção dos transportes públicos. Prevê igualmente que os automóveis particulares só possam ir na direcção Santa Apolónia/Cais do Sodré/Alcântara, e vice-versa, pela Ribeira das Naus, e que o estacionamento na zona fique reservado a moradores e comerciantes.

