• |
  • Iphone
  • |
  • Mobile
  • |
  • RSS
  • |
  • Twitter
  • |
  • Facebook
  • Siga-nos em:

Reunião ontem à noite

Amarante: Especialistas em engenharia não tranquilizam adversários da barragem de Fridão

21.03.2009 - 12:34 Por Lusa

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Os quatro especialistas de engenharia civil convidados pela Câmara Municipal de Amarante para um debate, ontem à noite, sobre a segurança da barragem de Fridão, no rio Tâmega, não conseguiram tranquilizar os adversários da sua construção.
Os técnicos invocam os conhecimentos da engenharia, mas a população de Amarante está insegura sobre a barragem de Fridão Os técnicos invocam os conhecimentos da engenharia, mas a população de Amarante está insegura sobre a barragem de Fridão (Fernando Veludo (arquivo))

Os intervenientes asseguraram "a excelência da engenharia portuguesa" na construção de aproveitamentos hidroeléctricos, reputada em todo o mundo, mas ao mesmo tempo reconheceram "que não existe risco zero", deixando na centena e meia de assistentes a ideia de que a construção de duas barragens, a apenas três e seis quilómetros a montante da cidade, "é um facto consumado".

O debate sobre segurança das barragens reuniu dois dirigentes do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o presidente Carlos Matias Ramos e o responsável do Departamento de Barragens de Betão, Carlos Pina, um representante do Instituto da Água (INAG), João Avilez e ainda Ferreira Lemos, director do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Carlos Ramos disse à Lusa que compreende a "intranquilidade e o desconforto" da população de Amarante, mas assegura que nunca houve um acidente numa barragem em Portugal que tenha sido acompanhada pelo LNEC e que estes empreendimentos, além de cumprirem rigorosos controlos durante o projecto e a construção, são monitorizados permanentemente durante a sua fase de exploração.

"Há um sentimento [de insegurança] que eu entendo perfeitamente, mas entendo também que a nossa lógica é técnica, de quem dedicou toda uma vida a este tipo de obras e à melhoria dos procedimentos tendo em vista uma antecipação dos problemas e um melhor dimensionamento", disse Carlos Ramos à Lusa.

"O que sabemos hoje é muito mais do que sabíamos em 1954 [quando foi construída a barragem do Cabril, no rio Zêzere, a primeira construída exclusivamente pela engenharia portuguesa]", concluiu o presidente do LNEC.

O responsável do LNEC pela área de barragens, Carlos Pina, insistiu que qualquer empreendimento deste tipo terá obrigatoriamente planos de emergência internos e externos e assegurou que num hipotético acidente há tempo suficiente para executar um plano de evacuação, colocando a salvo a população da cidade.

O debate girou também em redor do tempo de evacuação da população da cidade no caso de um acidente, que os ambientalistas e adversários da barragem estimam ser de apenas meia hora, mas há também respostas que apenas vão ser obtidas na fase de execução do projecto, como a questão de saber "até onde chegará a onda", ou seja, que zonas de Amarante serão inundadas, no caso de ocorrer um colapso do paredão da barragem.

Por esclarecer ficou também a questão da sismicidade da zona, assinalada num relatório elaborado há 17 anos, mas que os técnicos procuraram minimizar, garantindo que serão feitos estudos rigorosos para o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) e que a barragem, a ser construída, será dotada de instrumentos de registo de sismicidade.

Na fase de debate, o líder do movimento local de contestação à obra acusou os técnicos de serem pessoas ligadas à engenharia das barragens, apesar da sua elevada reputação técnica, e de terem vindo ao debate com o intuito de "defender a sua dama".

Para esta ideia, que perpassou em parte da assistência, contribuiu a apresentação inicial do vice-presidente do LNEC, ao deixar a "profecia" de que nenhum argumento conseguirá travar a construção das barragens no rio Tâmega, sobretudo se atentarmos à sua valia económica.

"Nos próximos anos passaremos várias por esta cidade na visita às barragens que se vão construir no Tâmega", afirmou Carlos Pina, ao saudar a hospitalidade de Amarante.

Ferreira Lemos, da FEUP, realçou a "cultura de segurança" dos empreendimentos hidroeléctricos e, socorrendo-se de material da EDP, mostrou a antevisão das duas barragens, indicando que os planos da empresa prevêem que comece a produzir energia em 2016 e que a sua construção iniciar-se-á em 2012.

Para João Avilez, do INAG, a adjudicação à EDP é ainda provisória mas também este responsável salienta a valia económica da barragem de Fridão que contribuirá, com os outros nove empreendimentos lançados pelo Governo, para elevar a produção hidroeléctrica portuguesa para os 8.000 MW.

O estudo prévio da EDP relativamente a Fridão define a construção de uma barragem principal com quase uma centena de metros de altura e de um contra-embalse com 30 metros, este a apenas três quilómetros de Amarante, que os técnicos asseguram ser necessário para "modelar" [regularizar] o caudal do rio Tâmega na área urbana da cidade.

A Câmara de Amarante promete realizar outro debate sobre a barragem, este sobre os impactes ambientais sobre a cidade, uma área onde os ambientalistas e adversários da obra esperam ganhar algum terreno e ter argumentos mais convincentes para contrapor ao designado "lóbi dos engenheiros e do betão".

  • 450 leitores
  • 2 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1370234

Comentário + votado

Amarante

Ninguem duvida da eficácia destes senhores engenheiros. Mas meu amigo, teria você coragem para ...

Anónimo

22.03.2009 13:04

Comentar Critérios para publicação de comentários dos leitores

Restam 1200 caracteres

Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.

Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.