A zona onde se deu a derrocada na praia Maria Luísa, em Albufeira, foi hoje protegida com grades de ferro e um agente policial por razões de segurança, depois de cinco pessoas terem morrido sexta-feira, quando se deu o desabamento da falésia.
"A casa roubada trancas à porta", disse Arnaldo Pinto depois de chegar esta manhã ao areal da Maria Luísa e ter observado dezenas de grades e um polícia fardado a fiscalizar e a interditar as pessoas de se aproximarem da falésia. Enquanto acaricia um ramo de flores cor-de-rosa colocado nas rochas da falésia em honra das vítimas mortais, Arnaldo Pinto, 38 anos, lamenta que seja necessário morrer pessoas para que a segurança seja mais eficaz.
Há 26 anos que a praia Maria Luísa é o local de féria para Arnaldo Pinto que garante que vai continuar a regressar àquele sítio, até porque tem uma casa naquela zona. O veraneante critica a insuficiência de segurança naquela praia. Um simples sinal de interdição "não é suficiente", disse, adiantando que há crianças e idosos que "não sabem ler e podem pensar que o sinal de aviso pode ser simplesmente a proibir de ir a banhos no mar".
A responsável da Administração Hidrográfica da Região (AHR) do Algarve, Valentina Calixto, apelou hoje aos banhistas no Algarve para cumprirem a sinalética nas praias. "Apelo aos utentes para cumprirem a sinalética das praias", pediu a responsável, explicando que é impossível para a administração central olhar para cada metro quadrado de arribas nos 150 quilómetros de praia que o Algarve tem.
Casal salva-se por 30 segundos
Os nomes das cinco vítimas ainda não foram divulgados, mas José Arrais era vizinho de quatro das pessoas que foram mortas pela derrocada e que residiam no Porto. Arrais referiu que a família morava na Rua da Venezuela (Porto), que a mulher era professora, uma das filhas era psicóloga e que o namorado está no hospital de Faro.
O namorado, na casa dos 20 anos, atingido pela derrocada, deu entrada sexta-feira no Hospital de Faro com ferimentos graves, mas está a recuperar bem de uma intervenção cirúrgica à perna e encontra-se no Serviço de Ortopedia, adiantou fonte hospitalar.
Entre "mirones" que se deslocam à praia algarvia da trágica derrocada, há um casal de veraneantes na casa dos 70 anos que entre lágrimas de emoção confessou ter estado a "30 segundos da morte". O casal estava junto à falésia momentos antes da fatal derrocada.
"Não fiquei lá debaixo por 30 segundos", disse um dos elementos do casal, que quis manter o anonimato, referindo que conhecia o perigo iminente, mas que a sombra da falésia para "proteger o netinho do sol falou mais forte".
"Foi uma imprevidência e uma inconsciência por causa do neto", desabafou, enquanto criticava também o "fraco aviso de perigo" que está colocado naquela praia. "As autoridades, sabendo que as pessoas são imprevidentes, deviam ter posto uma cerca fixa e inamovível", aconselhou o veraneante, que vem há 13 anos de Oeiras fazer praia à Maria Luísa.
Não existem mais zonas de perigo iminente
Valentina Calixto afirmou que actualmente nas praias do Algarve não existe "nenhuma zona de risco iminente que seja necessário interditar" aos banhistas. "Neste momento estão referenciados enchimentos de praia na D'Ana (Lagos) e na zona entre o Peneco e Forte Novo (Albufeira), mas só são "riscos potenciais de derrocada" e "não são riscos iminentes", especificou.
No Algarve existe uma carta de risco com locais referenciados e onde se procede posteriormente a trabalhos de remoção se houver risco iminente de derrocada, como aconteceu na praia Maria Luísa em 2007. "Em 2007 havia risco iminente de derrocada e a CCDR efectuou uma remoção de alguns blocos junto ao rochedo, que estavam em risco de derrocada", recordou Valentina Calixto, referindo que a praia Maria Luísa "tem vindo a receber uma observação sistemática", mas que não estava numa "situação de risco iminente".


