Os agricultores da região do Oeste receiam perder quota de mercado nas exportações, depois do mau tempo ter devastado as culturas locais e levado os produtores a pedir apoios ao Governo. Alguns destes agricultores decidiram agora negociar o congelamento de empréstimos, ao ver a produção do ano arruinada.
Após o vento destruir numa hora as estufas que construiu ao longo dos anos, Paulo Maria está a negociar com a banca o adiamento do pagamento do empréstimo. “Já pedi ao banco para que não haja amortização do empréstimo e juros porque não vou ter hipótese de pagar”, conta o agricultor de Torres Vedras, de 41 anos, que ficou com metade dos 10 hectares de estufas destruídas.
Também Vítor Gonçalves, de 29 anos, no sector desde 2002, optou pelo mesmo, depois de ter ficado com cinco dos 6,5 hectares de estufas totalmente danificadas. Apesar de não quererem abandonar o sector, ambos encaram os próximos anos com apreensão devido aos elevados prejuízos que os impedem de produzir.
Estes agricultores temem perder quota de mercado nas exportações por estarem inseridos numa região fortemente hortícola que factura por ano 60 milhões de euros no mercado externo. “Se não tenho produto para exportar o sector vai perder nichos de mercado que estava a conquistar” sobretudo em Espanha, explica Vítor Gonçalves, agricultor que enviava para exportação cerca de 60 por cento da sua produção de tomate e alfaces.
Os dois agricultores temem que os espanhóis possam recorrer a outros mercados para se abastecerem, nomeadamente de tomate. Os agricultores receiam também que haja mais produtos estrangeiros a entrar no mercado interno.
A exportação de tomate e alface está assim ameaçada, devido à menor produção que se avizinha para este ano.
Quando se preparavam para iniciar a plantação de tomate para a primeira campanha, com colheita prevista entre Maio e Junho, os agricultores ficaram com a área de cultivo mais reduzida pelos estragos deixados há duas semanas pelo mau tempo. “Os estragos põem em causa as duas campanhas do ano de tomate [a segunda com plantação no fim de Junho e início de Julho e colheita entre Setembro a Novembro] porque não vou conseguir recuperar toda a área num ano”, aponta Paulo Maria.
“Tinha à volta de cem mil plantas de tomate para plantar e nem sei o que fazer a eles porque não tenho onde os plantar”, refere António Francisco, 51 anos, que gastou 30 mil euros.
Paulo Maria investiu 55 mil euros e Vítor Gonçalves 22 mil em, respectivamente, 237 mil e 75 mil pés de tomate. “Não vamos plantar nem colher, por isso só vamos ter despesa”, desabafa com preocupação Vítor Gonçalves.
Aos prejuízos de haver menor produção juntam-se os investimentos irrecuperáveis de 1,6 e 2 milhões de euros que Vítor Gonçalves e Paulo Maria estavam a pagar.
Os agricultores explicaram que não possuíam seguros das estufas, uma vez que nem os bancos exigiam por norma seguros das estruturas, nem as seguradoras dispunham de soluções pelos elevados riscos associados.


