Abertura do último troço do túnel do Marquês adiado para meados de 2011

30.09.2010 - 09:26 Por Ana Henriques
Vereador Nunes da Silva disse, ontem, que obra começará em Novembro, com uma tarefa complexa de remoção de cabos do metro.
O último troço do túnel do Marquês de Pombal, debaixo da Avenida António Augusto de Aguiar, não deverá ficar pronto antes de meados do ano que vem, admitiu ontem o vereador da Mobilidade da Câmara de Lisboa, Nunes da Silva.
Segundo o autarca, o atraso deve-se à necessidade de rebaixar um feixe de cabos do Metropolitano de Lisboa que passa neste local, "um trabalho de grande complexidade e que só pode ser feito entre a 1h e as 5h", quando este meio de transporte não está a funcionar. Nunes da Silva respondia a uma questão levantada na reunião de câmara pelo vereador Pedro Santana Lopes (PSD).
Diferendos entre a autarquia e o consórcio encarregado da construção do túnel ajudam a explicar a razão de estes trabalhos só arrancarem em Novembro, na melhor das hipóteses, ao passo que o resto do túnel ficou pronto há três anos e meio. O relacionamento nem sempre fácil da câmara com o Metropolitano também contribuiu para a demora. Agora, o Metropolitano "parece que ainda não tem um parecer favorável ao projecto" de rebaixamento dos cabos, adiantou Nunes da Silva. "Espero que o problema seja resolvido a curto prazo para que em Novembro o estaleiro da obra possa ser montado". Aos quatro meses necessários para transferir os cabos há que juntar mais dois para que este último troço do túnel fique pronto.
"Se eu estivesse à frente da Câmara de Lisboa, a obra já estava pronta e os lisboetas já estavam a usar esta parte do túnel", garantiu Santana Lopes, recordando os vários falsos anúncios de conclusão da obra por parte da maioria socialista que governa a autarquia: "O presidente da câmara anunciou o seu fim em Dezembro do ano passado, em Março deste ano e agora disse outra vez que até mais ou menos à Primavera está concluída. É importante que se assumam responsabilidades políticas dos anúncios feitos".
António Costa não gostou do que ouviu e responsabilizou Santana pelo atraso, ao não ter pago a obra na totalidade aos respectivos empreiteiros quando estava à frente dos destinos de Lisboa. "Por isso tenha prudência quando fala do túnel", lançou Costa ao seu adversário político. Foi então que o ex-primeiro-ministro lhe retorquiu: "O seu tom de ameaça não me impressiona. A obra não foi acabada a tempo e o senhor sabe porquê." E apontou Sá Fernandes, que, antes de entrar para a Câmara de Lisboa como vereador, conseguiu embargar os trabalhos durante sete meses. "Tornou-se vereador à custa disso", acusou Santana Lopes.

