“A capacidade de reivindicação não se mede pelos decibéis”, diz presidente da Câmara de Matosinhos

12.05.2008 - 16:06 Por Adelino Gomes, Carla Marques (Rádio Nova)
Guilherme Pinto, presidente da Câmara de Matosinhos, garante estar a preparar o concelho de Matosinhos para os desafios do futuro. Educação e Ambiente são as prioridades de um mandato em que gostaria de ver avançar as obras dos acessos à A28 na Senhora da Hora e a requalificação da Estrada da Circunvalação, dois projectos cujo impasse o preocupa.
Quais são as diferenças entre o seu projecto e o de Narciso Miranda?
O meu projecto é adequado às novas circunstâncias. Ele teve de responder a alguns problemas, e eu a outros. Ele teve de enfrentar a desindustrialização de Matosinhos, na década de 80. Eu tenho de colocar Matosinhos no mundo da globalização, das novas tecnologias. Tenho neste momento uma revolução a acontecer em matéria educativa. Com a escola a tempo inteiro, temos um conjunto de programas que fazem com que nada fique como dantes nesta área: na construção de centros escolares, na promoção do sucesso escolar, que é muito importante, e a que estamos a dar muita atenção. Há coisas pequenas, e muito importantes. Criámos um programa de detecção de dificuldades de aprendizagem logo no quinto ano, e o que está a acontecer é que hoje essas crianças são alunos normais e, metade delas, muito bons estudantes. Um presidente de câmara deve preparar a sua comunidade para enfrentar os desafios do futuro.
A educação é então uma bandeira...
Sim, mas podemos falar também de ambiente. Estamos a investir 50 milhões de euros na orla costeira. Estamos a construir vias, parques de estacionamento, equipamentos, para dar uma nova imagem da costa de Matosinhos, de uma ponta à outra do concelho. Não ficará pronto até Angeiras até final do mandato, mas está lançado.É outra revolução completa. E em matéria de saúde, com um bocado de sorte, mas também com muito engenho, eu vou conseguir que se cumpram os compromissos assumidos: a requalificação dos centros de saúde de Santa Cruz do Bispo e de Perafita, a construção dos centros de saúde de Leça do Balio e de Custoias.
Está a querer dizer que tem capacidade de reivindicação, já que essas obras são do Governo...
A capacidade de reivindicação não se mede nem pelos decibéis nem pelas páginas de jornal que se escrevem com o que dizemos. Eu poderia ganhar uma popularidade fácil se quisesse colocar-me numa posição contra o Governo. Eu não o quero fazer, porque tenho com este Governo uma excelente relação de cumplicidade, que acaba por trazer para Matosinhos o que o concelho precisa. Ainda na quinta-feira estive a assinar com a APDL um protocolo que estava há 11 anos para se fazer. E ainda podemos falar da resolução do problema da Petrogal, com a requalificação ambiental e a criação da comissão independente de acompanhamento. Dos dossiers que recebi, só não tenho certezas sobre o da Exponor...
E com a APDL, o que mudou?
Mudou sobretudo a capacidade de diálogo, que existia dantes, mas que tinha sido interrompida por causa de alguns desentendimentos. A câmara tem que ter uma postura reivindicativa com a APDL, mas tem que entender que o Porto de Leixões é decisivo para a economia do Norte e para Matosinhos, concelho que é muito o resultado daquilo que foi o desenvolvimento deste porto, mesmo sociologicamente. Quando o porto de Leixões se constipa, nós também ficamos doentes. Temos de ter uma comunhão de objectivos. A aproximação, interrompida em determinado momento, é hoje uma realidade. A APDL tem uma perspectiva diferente da integração na cidade, embora falte resolver alguns problemas, como a remodelação da Avenida Antunes Guimarães, a ligação entre Leça da Palmeira e o Monte Castelo, em Guifões. E falta sobretudo acabar com os camiões que a CP ainda concita para o centro de Matosinhos. Já temos a Via interna do Porto de Leixões, que retirou dois mil camiões por dia das ruas da cidade, mas falta ainda transferir para a futura plataforma logística de Gatões, através da VILP, o tráfego em direcção ao terminal de mercadorias da CP.

